Celso  Filipe
Celso Filipe 10 de agosto de 2017 às 09:54

Afinal, ainda há duas formas de se olhar para a Venezuela

Nicolás Maduro está a levar a Venezuela para o caminho da autodestruição e as notícias que chegam deste país e do atropelo das regras democráticas são evidentes. Mas não para todos.

Siro Darlan, no jornal brasileiro O Dia, atribui o clima de instabilidade ao facto de a Venezuela estar a ser "vítima da cobiça por suas riquezas naturais pelo capital e por potências, que vêem ameaças ao seu domínio prevalente e excludente".

"A construção da libertação da Venezuela pertence a seu povo - e exclusivamente ao povo venezuelano, sem qualquer interferência externa, seja de que natureza for. (...) Embora vivendo momentos críticos em sua história recente, as conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis", argumenta o membro da Associação Juízes para a Democracia.

Francisco J. Gonçalves, no Correio da Manhã expressa uma opinião oposta. "Não basta falar de revolução para que algo de bom aconteça. A chamada Revolução Bolivariana da Venezuela é a prova acabada da burla revolucionária. (...) Uma cleptocracia apoiada por generais 'comprados' pelo tráfico de droga e de armas. Resta um país onde falta de tudo e onde já nem há papel higiénico para limpar tanta porcaria".

O El País, em editorial, aplaude o facto da ONU ter feito finalmente "um relatório contundente no qual emerge o rosto mais sinistro do Governo de Maduro". "Com o controle das forças militares e policiais em suas mãos, e frente a uma sociedade que confirma desmoralizada que seu sacrifício e dedicação em tantas manifestações não serviu para muito, o chavismo poderia prolongar esta agonia à frente de um regime que é cada vez menos democrático. A ONU soube perceber isso, e os chanceleres latino-americanos reunidos ontem [segunda-feira] em Lima também: a comunidade internacional não pode abandonar os venezuelanos".


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