Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 16 de janeiro de 2018 às 22:12

Ainda a diversidade

Nova Iorque, com os seus mais de 8 milhões de habitantes, ergue-se como a maior cidade americana e uma das metrópoles mais cosmopolitas, vibrantes e fascinantes do mundo.

A maior praça financeira do globo alberga também a famosa Madison Avenue, berço histórico da poderosa indústria publicitária norte-americana. Aí ainda encontramos hoje os quartéis-generais de algumas das grandes empresas publicitárias que dominam o mercado mundial.

 

Ao andar pelas ruas de Nova Iorque, o português recém-chegado surpreende-se ao constatar que a maioria da publicidade que vê, grandes cartazes, letreiros luminosos, jornais, encontra-se numa língua estranhamente familiar e que não é o inglês que aprendeu na escola. Depois percebe: está quase tudo escrito em espanhol.

 

Na capital financeira do planeta, na maior cidade norte-americana, a língua que predomina na publicidade exterior é, admirem-se, o espanhol.

 

Com uma população muito diversificada, Nova Iorque tem 28% da população classificada como hispânica contra 33% de brancos, 25% de negros e 12% de asiáticos. Não surpreende assim que, num Estado em que não existe uma língua oficial, o castelhano surja como uma língua de comunicação comercial e publicitária.

 

Dilui-se ou reforça-se a identidade americana? Os nova-iorquinos respondem pelo reforço. Sem exclusão reforça-se a união e a identidade coletiva. Uma lição de cosmopolitismo, de modernidade e de aceitação da diversidade.

 

Em Portugal, quando começaram a subir os números de imigrantes do Leste da Europa algumas empresas, incluindo alguns bancos, criaram peças publicitárias em russo uma língua mais acessível do que o português a muitos, embora com outras línguas maternas (ucraniano ou romeno), dos que se instalavam no nosso país. Uma boa prática que com a crise se desvaneceu.

 

Existem concelhos em Lisboa em que a percentagem dos afro-portugueses e emigrantes africanos é semelhante à dos hispânicos em Nova-Iorque. No entanto, a língua dominante na comunicação publicitária continua a ser nesses locais exclusivamente o português. Em simultâneo, a segunda língua mais falada em Portugal, a língua cabo-verdiana, é completamente ignorada e excluída.

 

A língua cabo-verdiana na variante de Santiago, a ilha mais populosa e a fonte de maior número de emigrantes em Portugal, poderia ser uma língua a usar em cartazes, letreiros e mesmo em folhetos e informação publicitária em largas zonas da Área Metropolitana de Lisboa. Naturalmente, não abrangendo todos os afro-portugueses e emigrantes africanos ela é uma língua mais acessível para a maioria do que o português.

 

Fica a sugestão ao cuidado dos nossos publicitários.

 

Economista

 

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