Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 01 de julho de 2013 às 00:01

Ainda a taxa sobre as pensões

O corte nas pensões actuais, sobre pessoas que já não podem reagir compensando essa perda de rendimento por outra actividade, e que fizeram um contrato, em que acreditaram, onde os descontos de uma vida de trabalho davam direito a um fim de vida digno é uma indignidade que ninguém com princípios e valores pode aceitar.

A rubrica de despesas da segurança social em pensões e outras prestações sociais é de grande dimensão, pelo que se compreende a atracção pela sua utilização, numa óptica de redução da despesa pública, com cortes horizontais.


É fácil, é barato e dá milhões.

A estratégia de comunicação utilizada para justificar esta medida que provoca, em pessoas bem formadas, uma grande incomodidade, também é fácil de perceber: referir alguns casos singulares normalmente associados a cidadãos com visibilidade pública e/ou política, em que a reforma é elevada e desajustada ao período de contribuição efectiva, ignorando a esmagadora maioria de reformados cuja reforma provém de dezenas de anos de descontos e em que, nalguns casos, se pudessem ter optado por sistemas de capitalização autónomos receberiam valores muito superiores.

E todo este processo é conduzido como se não existissem alternativas.

Entretanto a gigantesca máquina do Estado, central e local, continua a gastar verbas consideráveis na rubrica de Fornecimentos e Serviços Externos, com a aquisição de bens e serviços, conduzindo ao seguinte paradoxo que nenhum gestor empresarial consegue entender: como é que unidades orgânicas sobredimensionadas continuam a adquirir a quase totalidade dos bens e serviços de que necessitam para funcionar revelando, desta forma, a inexistência de competências internas para cumprirem as suas funções?

E esta situação não ocorre por falta de formação ou de informação externa, já que frequentam vários programas de formação e viajam com frequência.

Mas continuam a adquirir estudos, projectos, programas informáticos, consultoria jurídica, tecnológica, económica e financeira, etc.

Entretanto continuam a proliferar empresas municipais, fundações, associações sem fins lucrativos suportadas por dinheiros públicos, sem qualquer utilidade e não se vislumbra nenhum movimento para a sua extinção, assumindo as Autarquias as respectivas funções.

No domínio das empresas públicas a situação não é melhor. Encontramos empresas em áreas de produtos e serviços maduros, sem incorporação tecnológica relevante, com organigramas que se comparam a algumas multinacionais. E nalguns casos, era fácil fazer o "bench marking" com empresas privadas equivalentes.

O corte nas pensões actuais, sobre pessoas que já não podem reagir compensando essa perda de rendimento por outra actividade, e que fizeram um contrato, em que acreditaram, onde os descontos de uma vida de trabalho davam direito a um fim de vida digno é uma indignidade que ninguém com princípios e valores pode aceitar.

Em compensação, terminar com as pré-reformas incompreensíveis, e com as reformas por invalidez fraudulentas, aumentar a idade de reforma para os 68 anos (o aumento para os 66 anos foi tímido e revelador de falta de convicção e de coragem) e aproximar os sistemas da Caixa Geral de Aposentações ao das Caixas de Previdência, são acções que só pecam por ser tardias.

Professor Associado Convidado do ISCTE
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mais votado Anónimo 01.07.2013

Engº Todo Bom Esta gente que nunca descontou, que sempre viveu da canalhice que nos governa, não sabe o que é vida limpa, em empresas limpas, com muitos trabalhadores que sempre descontaram o que a CGA e SS exigiam. Têm inveja dos que acautelaram o futuro descontando... Como agora faliram como o país, vêm que nada terão, apesar de nada lá terem posto. Continue, que nunca lhe falte a inteligência a capacidade e a seriedade com que sempre incutiu nos que o acompanharam...e felizmente foram muitos.

comentários mais recentes
Daniel 02.12.2013

Só os Juros do dinheiro depositado nas mãos da ss. durante uma vida de descontos "40 anos" dá para pagar a reforma no minimo até ao limite da esperança de vida, ou seja o estado teoricamente recebe o dinheiro dos contribuintes e faz desaparecer o dinheiro.

Anónimo 01.07.2013

Engº Todo Bom Esta gente que nunca descontou, que sempre viveu da canalhice que nos governa, não sabe o que é vida limpa, em empresas limpas, com muitos trabalhadores que sempre descontaram o que a CGA e SS exigiam. Têm inveja dos que acautelaram o futuro descontando... Como agora faliram como o país, vêm que nada terão, apesar de nada lá terem posto. Continue, que nunca lhe falte a inteligência a capacidade e a seriedade com que sempre incutiu nos que o acompanharam...e felizmente foram muitos.

JCGX 01.07.2013

O Sr. Articulista, embora Todo-Bom, mete-se em assunto emocional, manda palpites gerais e avulsos e começa a sair disparate. Por exemplo, no referente à alternativa de descontar para a SS fazendo-o para um fundo (privado) de pensões de capitalização dar muito mais retorno. De acordo com estudos internacionais, é uma mera fantasia. Pelo menos no que se reporta à rentabilidade para o investidor da aplicação em tais fundos. O negócio normalmente é excelente, mas só para quem gere tais fundos. No fim do ano há bónus principescos para os magos da gestão de tais fundos. O que é lamentável é que tudo isto já podia ter sido há muito tempo clarificado. Mais uma vez, chamo a atenção daquele matreco, dito ministro da SS, que fala assim a modos que em acelerações de motoreta, para fazer algo de que poderia um dia gabar-se aos netos: 1º defina ou detalhe ou quantifique qual a parte ou porção da TSU (dos 34,75%) que se destina a financiar a pensão de reforma; 2º liste cronologicamente as entregas efetuadas durante a carreia ativa e atualize-as com um coeficiente que pode (ou deve) ser a taxa de crescimento nominal do PIB; 3º encontrado um capital acumulado, reparta-o pelos anos expectáveis de vida de reformado (com atualizações anuais em função do crescimento do PIB: remuneração aplicada ao capital remanescente). Assim, para limpeza e clarificação inicial, conseguia-se um equilíbrio financeiro e estou convencido de que haveria poupanças substanciais com a correção (para baixo) de pensões de alguns todos-bons que foram calculadas através de métodos de cálculo muito generosos e insustentáveis. É claro que isto devia ter critérios de salvaguarda para pensões mais baixas.

Admiro Silva Lopes 01.07.2013

Mais um mamão: junta-se a Cavaco, Bagão ou Ferreira Leite.

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