Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 11 de Janeiro de 2017 às 20:10

Ainda a tempo

O processo de venda do Novo Banco é, obviamente, muito difícil. Já muita gente interveio para contribuir para a sua solução e, pelos vistos, está difícil encontrar a luz ao fundo do túnel.

Temos os responsáveis do Governo anterior, temos o dr. Vítor Bento, depois temos o dr. Eduardo Stock da Cunha e a sua equipa, agora temos o dr. António Ramalho e a sua equipa, temos, acima de tudo, o Banco de Portugal e, naturalmente, também o dr. Sérgio Monteiro, executivo encarregado do processo da venda, além dos responsáveis a nível europeu, quer em Bruxelas, quer em Frankfurt. Todas estas pessoas e/ou entidades, pelas atribuições e competências que lhes cabem, têm responsabilidade ou têm tido a vontade de contribuir para que se alcance uma boa solução neste processo. Poder-se-á argumentar que há nacionais de outros países que não atuaram com toda a correção e que não se importariam de ver o sistema financeiro português em piores lençóis, para assim poderem beneficiar entidades dos seus países de origem. Não vamos fazer processos de intenções. A competitividade é o que é, a concorrência é o que é. Espera-se sempre, é claro, que seja saudável.

 

Se as coisas correrem bem, não há um só responsável e se as coisas correrem mal, também não há um só responsável. Vamos só fazer o seguinte exercício: se o processo da venda do Novo Banco tivesse um desenlace muito positivo, alguém admitiria que viesse só o dr. Sérgio Monteiro, ou só o dr. Mário Centeno, ou só o dr. Carlos Costa a quererem ficar com os louros só para si? Obviamente que não. E apareceriam logo as vozes do costume a dizer que "isto foi obra de mais pessoas, de um conjunto de vontades que, em convergência, contribuiu para esse resultado". Ora, se, porventura, não acabar bem, também não é justo dizer-se que foi culpa só de uma dessas pessoas ou de qualquer outra. Com isto não estou a querer desculpar ninguém. Julgo que estou a falar de realidades objetivas: a gestão deste processo é dividida por variadíssimas entidades. O problema, na minha opinião, está em que nasceu torto e, como diz o povo, o que assim nasce, tarde ou nunca se endireita. E no que me respeita, escrevi que nasceu torto mesmo antes do "parto". Ou melhor, na tarde do dia em que esse "parto" teria lugar, já noite fora com a conferência de imprensa do Banco de Portugal.

 

Há alguns meses, julgo ter sido dos primeiros do espaço político em que me insiro - se não o primeiro - a defender que seria preferível o Estado ou o Fundo de Resolução ficarem com o banco do que o venderam mal e/ou ao desbarato. As minhas concordâncias ou discordâncias não variam pois com os governos que estão em funções, mas antes com as minhas convicções. Quando discordo, e a causa o justifica, digo e quando concordo faço o mesmo.

 

Tenho-me pronunciado mais sobre o caso do Novo Banco porque é aquele que está sob pressão maior, por atualmente ser um "banco de transição" nos termos das normas comunitárias e por estar sujeito a um prazo de venda, que é o de Agosto de 2017. E, já agora, também por o desfecho continuar em aberto, porque os outros bancos de origem portuguesa, como o BPI ou o BCP, já tinham e têm processos de reorganização da sua estrutura acionista em curso, que se espera que venham a produzir bons resultados. Com o Novo Banco tudo pode ainda correr muito mal ou minimamente bem. A alternativa é, pois, limitada, mas penso que a escolha é fácil. Resta saber o que é que cada um considera minimamente bom. Pela minha parte, tenho procurado dar o meu contributo como português, sem qualquer interesse direto ou indireto no processo de venda (e compra).

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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mais votado Anónimo Há 1 semana


Ladrões FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

PENSÕES DOS ATUAIS TRABALHADORES

Os atuais trabalhadores já tiveram vários cortes nas suas futuras pensões!... Através das várias alterações à sua fórmula de cálculo!

AGORA CHEGOU A HORA DE CORTAR NOS ATUAIS PENSIONISTAS.

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Anónimo Há 1 semana


Ladrões FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

PENSÕES DOS ATUAIS TRABALHADORES

Os atuais trabalhadores já tiveram vários cortes nas suas futuras pensões!... Através das várias alterações à sua fórmula de cálculo!

AGORA CHEGOU A HORA DE CORTAR NOS ATUAIS PENSIONISTAS.

Mr.Tuga Há 1 semana

Ó Santana, porque não compra a SCML o NB?!

Anónimo Há 1 semana

Só há uma maneira de não sacrificarem mais o BOM POVO PORTUGUÊS. N A C I O N A L I Z E M o Novo Banco. Porque de contrário nunca mais levantamos a cabeça. O tempo não é propício a vendas e quem está à frente desta NAU também não são os mais esclarecidos intelectual e culturalmente Por isso, VENDAM!

Anónimo Há 1 semana

Está mais que provado que não temos gestores banqueiros. Quando muito darão para bancários; - a prova-lo está o resultado que se vê. Jogando com a justiça, roubaram o que e como quiseram e o povo enganado PAGOU. Depois vêm os corruptos intelectuais culpar o povo que gasta demais NACIONALIZEM-NO!

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