Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 07 de setembro de 2017 às 20:05

Alarme no financiamento das reformas

Há uma doença que ameaça a democracia portuguesa. Já ninguém pensa num horizonte de longo prazo, nem médio. O que interessa é a gestão curta do ciclo eleitoral.

Por isso, o icebergue da sustentabilidade das contas da Segurança Social, que já está a derreter, não merece alguma discussão pública.

 

Mesmo com a economia a crescer a ritmos desconhecidos neste século, com o emprego a recuperar, as contribuições dos trabalhadores, incluindo os 23,75% de salário bruto a cargo das empresas, já não chegam para pagar as pensões da Segurança Social.

 

De Janeiro a Julho, a diferença negativa entre contribuições e despesa com pensões já ascende a 485 milhões de euros, ou seja, um défice diário próximo de 2,3 milhões de euros.

 

E enquanto do lado da despesa a tendência é para agravamento e para isso nem são precisos aumentos extraordinários, basta a actualização de acordo com a inflação e o efeito natural do envelhecimento da população, do lado da receita a pressão continua muito elevada. É verdade que há uma recuperação do mercado de trabalho, que em princípio poderia propiciar uma recuperação das receitas. Mas acontece que, em média, os salários das pessoas que saem para a reforma são mais elevados do que os que entram.

 

Aliás assiste-se a uma brutal substituição de salários mais elevados de pessoas mais velhas, por salários mais baixos, verdadeiramente "low-cost" das gerações mais novas.

 

Esta redução dos custos salariais, aliada ao envelhecimento do país, agravado pelas recentes ondas migratórias de milhares de jovens, vai provocar uma grande pressão nas contas da Segurança Social, com impacto no défice orçamental, porque vão ser necessárias transferências orçamentais de grande montante para evitar o total colapso do sistema. Diga-se também que durante décadas foram os excedentes das contribuições da Segurança Social a pagar as reformas das pessoas abrangidas pelos regimes não contributivos ou fracamente contributivos.

 

É fácil prever que quer as pessoas que nos últimos anos entraram na idade da reforma, quer os actuais trabalhadores que sustentam o sistema, e muitos deles já com décadas acumuladas de descontos, vão ter dificuldade em receber os montantes para os quais descontaram e que por isso têm legítimas expectativas.

 

A melhor forma de evitar o caos é minorar o impacto negativo da pressão financeira e diversificar o financiamento do sistema. Um assunto urgente e uma prioridade nacional.

 

Saldo Positivo: Mario Draghi

O homem que protegeu o euro na maior tempestade financeira deste século festejou 70 anos no dia 3 de Setembro. A Draghi devemos mais do que a sobrevivência da moeda única. As famílias com créditos devem o maior alívio orçamental nas contas mensais com a redução da prestação mensal do crédito, particularmente para a compra de casa. O guarda-chuva do BCE também baixou a pressão sobre a dívida pública. Mas no próximo mês é natural que haja uma inversão da política monetária.

 

Saldo Negativo: Bruno de Carvalho

 

Adrien vai ficar quatro meses sem poder jogar, por causa de um atraso no acordo de transferência entre os leões e o Leicester. O digno capitão que honrou a camisola leonina não merece este castigo. E um dos responsáveis por este atraso é Bruno de Carvalho. O líder sportinguista envolveu-se ainda numa polémica com o West Ham por causa de um dos jogadores mais valiosos do plantel, William Carvalho. E para coroar a semana há uma intervenção na televisão do clube, digna de um émulo do Presidente da Venezuela.

 

Algo completamente diferente

 

Um jovem forcado morreu, na última pega, após ferimentos de um touro de 570 quilos numa corrida em Cuba, Alentejo. Nos últimos 30 anos, sete forcados perderam a vida por causa de uma paixão pura. Num tempo em que tudo é mercantilizado, os forcados arriscam a vida, mostrando o seu valor, sem ganharem qualquer retribuição financeira. Há outros valores mais importantes em causa, desde a coragem, a honra e a camaradagem. Independentemente de se gostar ou não da tourada, estes princípios personificados nos forcados merecem respeito.

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mais votado Anónimo Há 2 semanas

O português tipico é alérgico a pensar a médio e longo prazo, é o tipico "deixa andar que eu depois desesnrasco". Este tipo de irresponsabilidade é terreno fértil para as demagogias e populismo da esquerda. Este problema da sustentabilidade do sistema de pensões já anda a ser falado há cerca de 20 anos mas a esquerda sempre se recusou a uma discussão séria e racional sobre o problema. Para a esquerda é tudo uma espécie de Benfica- Sporting.

comentários mais recentes
5640533 Há 2 semanas

As touradas são uma selvageria, uma barbarie.

J. SILVA Há 2 semanas

Problema também muito grave são as pensões da CGA que na sua maioria são pagos com os impostos. Durante
anos e anos só o funcionário é que descontava e considerando que o valor da reforma era o último vencimento estamos perante um elefante branco insustentável. O último que feche a porta. Garotada

Anónimo Há 2 semanas

O português tipico é alérgico a pensar a médio e longo prazo, é o tipico "deixa andar que eu depois desesnrasco". Este tipo de irresponsabilidade é terreno fértil para as demagogias e populismo da esquerda. Este problema da sustentabilidade do sistema de pensões já anda a ser falado há cerca de 20 anos mas a esquerda sempre se recusou a uma discussão séria e racional sobre o problema. Para a esquerda é tudo uma espécie de Benfica- Sporting.

Mr.Tuga Há 2 semanas

RELAX!!!!

Já todos sabemos que os xuxas não gostam de resolver problemas.... Apenas empurra-los com a barriga! Não gastes amanha o que podes gastar hoje!
Vê as contas (subsidiadas pelos CONTRIBUINTES!) lá do clube do Largo das RATAZANAS.... Quer melhor exemplo!?

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