Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 18 de janeiro de 2018 às 20:39

António Costa pode ter dois amores 

Com Rui Rio na liderança do PSD, o cenário político fica diferente. Rio é o novo líder da oposição, mas também pode ser um aliado natural de António Costa.

A vitória de Rui Rio no PSD pode marcar um novo ciclo político. Um patamar em que António Costa continua com a faca e o queijo na mão, com a vantagem de agora ter um interlocutor no PSD, que é uma alternativa a um governo com apoio parlamentar de esquerda. Se nas próximas legislativas, o PS não tiver maioria e se for o partido mais votado, pode optar tranquilamente entre a manutenção do apoio parlamentar da geringonça à esquerda, ou o regresso do bloco central, com Rui Rio, seu velho aliado dos tempos do poder local, quando ambos lideravam os dois municípios mais importantes do país.

 

António Costa até pode fazer uma réplica política da canção dos dois amores de Marco Paulo. Em vez da loura e da morena, o dilema é entre a esquerda e a direita. À esquerda, há os aliados que nesta legislatura se têm mantido fiéis, mas é sempre melhor ter uma alternativa se PCP e Bloco aumentarem a pressão sobre o Governo.

 

E na verdade em algumas matérias nucleares, como a política europeia e o euro, há mais pontos naturais de convergência entre PS e PSD do que no seio da geringonça. O que Manuela Ferreira Leite verbalizou: "Se for preciso, o PSD tem de vender a alma ao diabo" para afastar a esquerda do poder, não é heresia. É realismo. António Costa não ganhou as legislativas, mas soube gerir o país para reforçar o apoio político para o seu projecto, mesmo à custa da erosão dos seus aliados, que permitiram esta inédita solução de Governo. Na generalidade das sondagens públicas, a vantagem do PS é consistente. A questão é saber se nas próximas eleições Costa consegue uma maioria absoluta, ou precisa de alianças parlamentares para se manter no Governo.

 

Os reformados e trabalhadores que este mês até podem ficar insatisfeitos com o acerto de contas motivado pelo fim dos duodécimos, depois de receberam os subsídios por inteiro e de em 2019 terem uma devolução recorde dos reembolsos do IRS, tenderão a fazer uma avaliação positiva do Governo e a premiar o partido do Governo. Até porque a nível económico, os ventos continuam favoráveis a Costa. A economia continua a gerar riqueza e a gerar empregos e os juros, um indicador decisivo num leitorado tão dependente do crédito, continuarão baixos até 2019. O caminho de Rio na oposição não será fácil. Ir para o Governo como sócio minoritário de Costa não é o pior dos cenários. O problema é que o bloco central tenderá a criar espaço para crescerem movimentos extremistas, quer à esquerda, quer à direita.

 

Saldo positivo: mais um turno na PSA

 

A fábrica da PSA, grupo das marcas Citröen, Peugeot e Opel, em Mangualde, aumentou a produção em 2017, o que significa um crescimento de 7,8% em relação a 2016. A empresa anunciou a abertura de um terceiro turno, o que significa a criação de mais 225 postos de trabalho a partir de Abril. O sucesso da produção dos veículos comerciais ligeiros é o motivo para este acréscimo de trabalho. São boas notícias para a economia portuguesa e sobretudo para a região. 

 

Saldo negativo: ligações perigosas na RTP

 

A um gestor de uma empresa pública exige-se total transparência. A RTP é uma empresa financiada pelos cidadãos contribuintes e consumidores que pagam uma pesada taxa na factura da luz. Graças a esta taxa não falta dinheiro na empresa. Mas a forma como o dinheiro é gasto levanta algumas dúvidas, principalmente no que respeita à contratação de produtos ligados ao universo da Produções Fictícias, empresa ligada ao actual administrador da estação pública Nuno Artur Silva.

 

Algo completamente diferente: Ronaldo fora da louca inflação do futebol

 

O mercado do futebol está a bater recordes e há cada vez mais jogadores com salários milionários. Tão inflacionados, que Cristiano Ronaldo, eleito o melhor jogador do mundo do ano passado, já não integra a lista dos cinco mais bem pagos. Supera os 20 milhões por ano, mas já distante dos 50 milhões líquidos do eterno rival Messi. E com CR7 a ter um registo apagado na Liga espanhola e com a idade a pesar, o Real está reticente em abrir os cordões à bolsa. É normal que Ronaldo esteja triste e não é de admirar que no Verão protagonize um novo negócio milionário.  

pub