António Mexia
António Mexia 31 de maio de 2016 às 07:00

António Mexia: Três eixos para construirmos o nosso destino

"Acredito muito na sorte e descobri que, quanto mais trabalho, mais sorte tenho”, terá dito Thomas Jefferson. Esta sorte que se constrói, tem, muitas vezes, uma base de fatores de sorte que estão lá, à espera de ser trabalhados.

Portugal é um País que tem esses elementos. Desde uma localização geográfica privilegiada, ao bloco económico e político em que está inserido, passando pela qualidade de infraestruturas e recursos humanos que tem ao dispor. O que é preciso fazer é saber, desde logo, reconhecer essa sorte que já se tem e trabalhar para fazer melhor e para estar preparado para os desafios do futuro. O caminho passa por escolhas que permitam garantir a credibilidade e confiança de Portugal dentro e fora do país.

No caso de Portugal o objetivo de controlarmos o nosso destino passa pela atuação em três eixos: estabilidade política, capacidade de captação de capital e gestão do talento. E tudo isto contribuindo para uma visão aberta encarando a globalização como uma oportunidade para um país da sua dimensão, reconhecendo que a sua restrição ativa mais relevante é a ausência de capital.

A estabilidade assume um cariz de grande relevância, não só para as empresas mas também para as famílias. Só com algum conforto no grau de previsibilidade disponível quanto ás regras do jogo é que os agentes económicos optam por realizar investimentos e conseguem preparar novas soluções para um mercado global cada vez mais competitivo. Veja-se o sector da energia, um sector de capital intensivo que tem claramente uma revolução em curso e em que só com uma visão de médio-longo prazo, estável, consequente, é que se podem tomar as decisões que vão moldar a vida das pessoas e das empresas – podendo ser chave nos ganhos de competitividade do país. 

Estabilidade é, também, um vetor decisivo na capacidade do país de captar capital. Este é um dos grandes desafios de Portugal e será uma componente crucial para a dinamização da economia, a redução do desemprego e a promoção de um maior bem-estar para as pessoas. Esta captação de capital tem de ser feita alargando os horizontes do que são os habituais mercados investidores em Portugal, conquistando novos parceiros disponíveis para confiar nas potencialidades deste mercado e das empresas que operam a partir daqui. E tem de ser feita demonstrando um compromisso com uma estratégia de crescimento e políticas, nomeadamente fiscal, que sejam competitivas.

Em terceiro lugar, o País precisa de poder contar com os melhores recursos. É necessário criar as condições para que o talento fique em Portugal ou venha para Portugal. E esse talento não tem necessariamente de estar apenas nas grandes empresas. Esse talento tem de ter condições para se revelar e criar valor através das start-ups, da inovação, da oportunidade de promoção de novos produtos e serviços. Portugal tem vindo a ganhar cada vez mais destaque enquanto potencial ‘hub’ para o lançamento de empresas e é importante que se continue a promover este centro de novas competências e esta visão de Portugal enquanto país de oportunidade. 

Estes são eixos em que Portugal deve atuar mas, tão importante como saber onde atuar é ter o discernimento de saber onde não atuar, não impor políticas ou medidas estratégicas numa lógica de curto prazo ou seguidismo, reconhecendo que só seremos um país mais justo se formos um país mais competitivo. É necessário coragem nas escolhas, nomeadamente na redução do peso do Estado na economia. Coragem para procurar novas ideias, novos mercados, novas soluções ajustadas à realidade do país.

Só este ciclo de regras de jogo competitivas e estáveis, captação de capital, investimento, talento e inovação, garantem o crescimento e emprego essenciais á confiança no futuro e coesão sociais, indispensáveis para um país melhor. Um país que terá também assim mais poder de contribuir na construção de uma Europa que se quer muito mais competitiva e muito mais solidária.

Portugal não deve depender de um golpe de sorte. Mas deve reconhecer que tem factores de sorte. E trabalhar para merecer melhor sorte. 


Presidente executivo da EDP

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comentários mais recentes
Anónimo 31.05.2016

Só por puro masoquismo é que se consegue levar este 'indigente' a sério...

Palhaçada 31.05.2016

"É necessário coragem nas escolhas, nomeadamente na redução do peso do Estado na economia." Este comentário vindo de alguém cujo trabalho é defender os interesses do estado Chinês... Eles é que são os donos da EDP não é? Pois é, por causa de tanta intervenção é que a China é tão pouco competitiva!

ortigao.sao.p+ayo 31.05.2016

... faz me lembrar da grande mentira que foi o movimento compromisso portugal está a custar demasiado aos portugueses pois os custos da enregia são de ladrões ...