Paulo Carmona
Paulo Carmona 17 de Outubro de 2016 às 21:10

António, o Grande Domador

É o Orçamento do Aguenta, Aguenta. O Governo aguenta mais um ano e os portugueses aguentam mais uns impostos… A imensa dívida está no limite e os impostos diretos também, faltam os indiretos que aí vêm.

A FRASE...

 

"Este é o orçamento do Governo do PS, mas que tem a marca das posições do Bloco de Esquerda."

 

Mariana Mortágua, www.esquerda.net, 15 de outubro 2016

 

A ANÁLISE...

 

Ainda estará para ser escrito o grande serviço que António Costa prestou à política portuguesa e aos próximos governos. Conseguir um Orçamento austero, ou de rigor se preferirem, a cumprir o Tratado Orçamental e as imposições de Bruxelas sem um queixume do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista é obra… e obra que fica. Ficará mais difícil a crítica a medidas semelhantes, e esforços de equilíbrio orçamental de próximos governos, PS ou PàF, sem se contradizerem. É o abraço do urso.

 

Ao trazer partidos de protesto para dentro da realidade financeira do país invalidará por muitos anos algumas das suas habituais contestações irreais. O registo dos seus apoios a medidas de contenção do défice sem crescimento económico significativo, ficará para sempre. E isso é importante para a normalização da política portuguesa. Termos todos os principais partidos a trabalharem sobre o real, suspendendo as utopias, é um importante serviço.

 

Depois de ter silenciado os clamores para a restruturação da dívida e questões sobre a capitalização da CGD e o estatuto remuneratório da sua administração, conseguiu agora um Orçamento à medida da Europa/Schäuble que aparentemente contenta o BE e PC, mesmo aumentando impostos indiretos para todos os portugueses enquanto se repõem salários e pensões mais elevadas. Ficam umas quantas flores no aumento de pensões mais baixas, entre outros temas de elementar justiça social, que possam permitir o aperto e salvar a face da extrema-esquerda e suas exigências.

 

É o Orçamento do Aguenta, Aguenta. O Governo aguenta mais um ano e os portugueses aguentam mais uns impostos… A imensa dívida está no limite e os impostos diretos também, faltam os indiretos que aí vêm. E o crescimento, virá? Trabalhemos para isso, senão estamos num lindo sarilho…

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Seja honesto naquilo que escreve, meu caro Há 3 semanas

Seria bom recordar a este figurão direitolas que nenhum governo agravou tanto a Dívida, neste país, desde 1974, como o desgoverno anterior, sendo que a respectiva, que estava em cerca de 95% (do PIB), em 2011, passou para 132% (do PIB), em 2015.

SER DECENTE NÃO É PARA QUALQUER UM ... Há 3 semanas

Não sei quem é este PAULO CARMONA nem estou interessado, visto que, manifestamente, se trata de alguém marcadamente tendencioso, nas suas análises políticas.
Com efeito - e bem ao inverso, porque teve razão sobeja para isso -, nunca ninguém lhe leu qq crítica ao saque do desgoverno anterior.