Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 31 de maio de 2015 às 21:13

Aprendizagem através das alianças

As alianças estratégicas constituem, em minha opinião, um instrumento privilegiado de crescimento e investimento em novos mercados, para as empresas portuguesas.

No caso de mercados com meios envolventes, económicos, sociais e culturais, distintos do mercado nacional, que têm vindo a ser objecto de atenção prioritária, no passado recente, por parte das empresas portuguesas, as alianças a estabelecer incluem sempre mecanismos de aprendizagem, na grande maioria dos casos, de carácter bidireccional.

 

Torna-se, assim, indispensável dominar o conhecimento sobre o processo de aprendizagem através das alianças.

 

A literatura refere três determinantes e respectivos factores que promovem a aprendizagem:

 

1.- A intenção de aprender;

 

2.- A transferência ou potencial para aprender;

 

3.- A receptividade ou capacidade absortiva.

 

Para o primeiro determinante é necessário que se acautelem as seguintes situações:

 

- A(s) empresa(s) deve(m) ter uma posição competitiva de cooperar agora para competir(em) no futuro;

 

- A construção de competências tem uma alta relevância estratégica;

 

- Existe escassez de recursos do conhecimento;

 

- O balanço de poder entre os membros da aliança, se não for controlado, cria instabilidade em vez de harmonia.

 

Para o segundo determinante é necessário ter em conta e análise:

 

- O contexto social, nomeadamente a linguagem e as barreiras sociais;

 

- Uma aproximação de exclusividade nas atitudes em relação ao meio envolvente externo;

 

- A natureza das capacidades específicas de conhecimento dos parceiros, tácitas e sistémicas.

 

Finalmente, o terceiro determinante deve ser suportado nas seguintes variáveis:

 

- Uma confiança realista nas capacidades de aprendizagem dos parceiros;

 

- Um "gap" de capacidades específicas pequeno;

 

- Um processo construtivo e empenhado de institucionalização da aprendizagem, com a sua transferência dos indivíduos para a organização.

 

As variáveis críticas neste processo de aprendizagem residem no contexto económico, social e cultural onde a aliança se insere e no tipo de conhecimento que é partilhado - tácito ou explícito. É necessário distinguir língua de linguagem comum e compreender os códigos de comunicação das culturas envolvidas, em particular quando se trata de partilha de conhecimento tácito entre os parceiros.

 

Na minha experiência de gestão de alianças estratégicas empresariais em Angola, participei activamente em duas situações diametralmente opostas:

 

Na primeira, o processo de aprendizagem bilateral tem sido constante ao longo dos seus últimos 10 anos, com a empresa a crescer anualmente a dois dígitos e uma grande satisfação dos parceiros portugueses e angolanos.

 

Na segunda, o processo de aprendizagem foi sistematicamente travado, pelo que, apesar do seu grande potencial de crescimento, a aliança desfez-se ao fim de 5 anos.

 

Numa altura em que as empresas portuguesas procuram activamente novos mercados, fora da Europa, por conseguinte, com contextos culturais muito diferentes, o estudo e aprofundamento dos processos de aprendizagem através das alianças é obrigatório.

  

Professor Associado Convidado do ISCTE

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