Fernando  Sobral
Fernando Sobral 09 de maio de 2017 às 00:01

Arábia Saudita: o dilema iraniano

A velha aliança entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita parece estar a renascer. O inimigo é comum: o Irão. E isso pode alterar todos os dados sobre o futuro da região. 

A visita de Donald Trump à Arábia Saudita, que integrará a primeira saída do novo Presidente americano ao exterior (e que incluirá também Israel e o Vaticano) é um sinal. Para muitos, demasiado claro sobre o reforço da aliança entre Washington e Riade contra o inimigo comum: o Irão. E esta reaproximação vem no seguimento da aproximação entre os EUA e o Irão após os acordos sobre o nuclear e que poderiam contribuir para uma alteração das alianças na região. Mas as águas foram novamente separadas. E, consciente disso, Riade volta a mostrar que quer continuar a ser uma das potências fundamentais do Médio Oriente. No meio resta saber como se irá desembrulhar a questão síria, onde o combate contra o Estado Islâmico e o regime de Bashar al-Assad criam coligações de interesses muito contraditórios. Como seria a dos EUA com a Rússia (aliada do Irão e de Assad). 


Para tornar tudo mais transparente, o príncipe Mohammed bin Salman da Arábia Saudita fez na semana passada declarações duras numa entrevista a várias televisões do seu reino. Disse, por exemplo: "Não vamos esperar até que a luta seja travada dentro da Arábia Saudita e trabalharemos para que ela esteja dentro deles, do Irão." Salman negou qualquer hipótese de aproximação ao Irão, dizendo que é impossível dialogar com um "regime que é construído com base numa ideologia extremista" e que deseja controlar todo o mundo islâmico.

 

Para Salman, que é também o ministro da Defesa de Riade, "o foco central dos iranianos é chegarem ao local sagrado dos muçulmanos, Meca". E isso conduzirá a um conflito. Tudo isto acontece no meio de uma série de sinais que mostram um endurecimento face ao Irão. Em meados de Março a Liga Árabe denunciou as acções de Teerão na região. Depois, o comandante militar americano que supervisiona as operações militares americanas no Médio Oriente descreveu no Congresso o Irão como a "mais significativa ameaça" na região e pediu acções duras contra Teerão. Ao mesmo tempo o Egipto mostrou que as recentes confusões com a Arábia Saudita tinham-se esbatido e que as suas relações eram "estratégicas". No meio de tudo isto fala-se, de forma cada vez mais audível, na possibilidade de criação de uma espécie de NATO para o Médio Oriente, que incluiria os países árabes aliados dos EUA e mesmo Israel. Objectivo comum: ser um contraponto militar ao Irão.

 

Estratégia: Portugal e China unidos pelo renminbi?

 

As relações entre Portugal e a China vão-se estreitando, sobretudo no sector económico. Há muitas razões para isso e a língua portuguesa (que é a oficial em muitos países que hoje são estratégicos para Pequim, de Angola ao Brasil e passando por São Tomé e Príncipe) fomenta ainda mais essa aproximação. Por outro lado, Portugal faz parte integrante da UE e da Zona Euro. Ou seja, há muitos motivos para que a China considere Portugal um mercado muito apetecível e que lhe permite entrar em diferentes zonas onde, de outra forma, seria mais difícil. Agora parece abrir-se uma nova porta para esta aproximação. E ela pode parecer estranha ou mesmo audaciosa.

 

Segundo Mário Centeno, que tem estado em Pequim, Portugal poderá ser o primeiro país da Zona Euro a emitir títulos de dívida pública em moeda chinesa, o renminbi. Segundo Centeno, "é uma forma de alargar a nossa base de investidores e de atrair financiamento". Na visita de Centeno ficou evidenciado o peso que a ligação financeira poderá vir a ter nesta aproximação: esteve reunido com o Banco do Povo Chinês (banco central), e com os responsáveis pelos principais bancos chineses: ICBC, Bank of China, Agriculture Bank of China e Postal Savings Bank of China. É certo que a captação de capital chinês estará dependente de uma evolução positiva do "rating" soberano português, algo que continua a ser contrariado pelas principais agências mundiais. A saída do Procedimento por Défice Excessivo poderá ser o primeiro passo nesse sentido. Mas, por outro lado, há o interesse chinês: se Portugal fizesse uma emissão de títulos em renminbi seria uma lança na Europa: a internacionalização do renminbi é uma prioridade para Pequim, que quer tornear a hegemonia do dólar norte-americano e negociar na sua moeda matérias-primas como petróleo e ferro.

 

Qatar: visita de António Costa

 

A visita de um dia de António Costa ao Qatar inseriu-se no reforço das relações entre os dois países, que a abertura de embaixadas de ambos há alguns anos já antevia. Costa busca no Qatar investimento em Portugal, apresentando o nosso país como uma boa plataforma para os mercados da União Europeia e dos países de língua oficial portuguesa. Na entrevista que deu ao Qatar Tribune e ao Gulf Times, Costa salientou também que o abertura de um voo directo entre Doha e Lisboa, pela Qatar Airways, será um importante passo para a proximidade entre os dois países.

 

Macau: receita cresce

 

A receita bruta dos casinos de Macau cresceu 16,3% em Abril em termos homólogos para 20 162 milhões de patacas (2.520 milhões de dólares). A receita bruta acumulada de Janeiro a Abril atingiu 83.640 milhões de patacas (10.455 milhões de dólares), número que representa um acréscimo de 13,8% face aos 73.517 milhões de patacas contabilizados nos primeiros quatro meses de 2016. Em 2016, as receitas do jogo em casino em Macau tinham atingido os 27.901 milhões de dólares, montante que representa uma contracção de 3,3% relativamente ao valor de 2015, com 230.840 milhões de patacas.

 

China: tratamento preferencial

 

Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, em África, e Timor-Leste, no Sudeste Asiático, são os países de língua portuguesa que beneficiam de tratamento preferencial a ser concedido ao abrigo das novas regras de importação aprovadas pela China, de acordo com a publicação China Briefing. As "medidas administrativas das alfândegas da República Popular da China sobre as regras de origem dos países menos desenvolvidos com direito a receber um tratamento tarifário preferencial" entraram em vigor a 1 de Abril passado a fim de melhorar os aspectos administrativos relacionados com a origem dos bens importados.

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mais votado Beruno Há 3 semanas

ainda nao percebi porque é que o irao é o mau da fita, e a arabia saudita é o bom da fita. é que é precisamente o contrario. o Irao tem um governo xiita mais moderado, e cooperante ate com os paises em redor. a arabia saudita tem um governo sunita "moderado", e um clero sunita RADICAL que controla as mesquitas e escolas, e manipula a mente dos jovens a se radicalizarem logo no periodo escolar

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Beruno Há 3 semanas

ainda nao percebi porque é que o irao é o mau da fita, e a arabia saudita é o bom da fita. é que é precisamente o contrario. o Irao tem um governo xiita mais moderado, e cooperante ate com os paises em redor. a arabia saudita tem um governo sunita "moderado", e um clero sunita RADICAL que controla as mesquitas e escolas, e manipula a mente dos jovens a se radicalizarem logo no periodo escolar