Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 02 de julho de 2017 às 18:02

Áreas críticas para o desenvolvimento empresarial

A inovação concentra-se nos produtos e serviços, com pouca intervenção nos processos e no posicionamento e os doutorados da área tecnológica têm uma reduzida interacção com as empresas.

Apresentei, recentemente, numa Conferência organizada pela SEDES, sobre "Condições para o Crescimento da Economia", uma Comunicação subordinada ao tema "Políticas Económicas para a Competitividade Empresarial: Quatro Áreas Críticas para o Desenvolvimento Empresarial".

 

As quatro áreas críticas, que foram identificadas para o Desenvolvimento Empresarial, podem resumir-se do seguinte modo:

 

• Dimensão e "Rating" das Empresas em Portugal - As empresas que operam em Portugal, em particular, as nacionais, têm uma dimensão muito pequena e "ratings" baixos, que condicionam a sua afirmação no mercado internacional.

 

Na base desta situação está o inexplicável endeusamento das PME, a falta de incentivos à concentração e agregação de empresas, por fusão ou aquisição, a inexistência de campeões sectoriais em vários sectores de actividade, o excesso de alavancagem das nossas empresas, a contaminação com o "rating" da república, a falta de acesso aos mercados financeiros internacionais e uma bolsa anémica.

 

• Eficiência do Sistema de Inovação Empresarial - o nosso sistema de inovação empresarial é muito ineficiente, com uma miríade de unidades de muito pequena dimensão, não integradas, sem complementaridade e sem o conhecimento recíproco da actividade de cada uma.

 

Não existe uma Rede de Inovação gerida através dum Portal da Inovação, desenvolve-se bastante inovação incremental, mas pouca inovação radical, a inovação concentra-se nos produtos e serviços, com pouca intervenção nos processos e no posicionamento e os doutorados da área tecnológica têm uma reduzida interacção com as empresas.

 

• Decisões Estruturais tomadas com uma Base Teórica Frágil, reduzindo a Qualidade da Gestão - ocorrendo no âmbito público e privado e em vários sectores de actividade.

 

Temos assistido a decisões sobre investimentos e privatizações de serviços públicos com estudos de mercado e estratégias de desenvolvimento frágeis e a decisões sobre o sistema financeiro e sobre os processos de internacionalização com bases teóricas débeis.

 

• Finalmente, os Profissionais das Desculpas e dos Arrependimentos - dirigentes e gestores que adoptam aproximações do tipo " não foi possível cumprir os objectivos porque …" em vez de "apesar de … cumprimos os objectivos" ou "o problema está em …" em vez de " de que ferramentas disponho para resolver o problema …".

 

A resolução das questões referidas é essencial para a afirmação da nossa economia no mundo global em que nos movemos e não apresenta uma particular dificuldade técnica.

 

Obriga, no entanto, a uma alteração significativa do nosso paradigma comportamental.

 

Mas se não actuarmos nestas quatro variáveis, empresas mais inovadoras e mais competitivas, que possibilitem empregos mais exigentes e mais bem remunerados para os quadros portugueses, continuarão a ser uma miragem.

 

Gestor de Empresas

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