Rui Barroso
Rui Barroso 11 de setembro de 2017 às 20:20

As acções do "pecado" e as tentações nos mercados

Investir de forma ética pode ser uma tarefa complicada para bater a concorrência.

Apesar de haver estudos a sugerir que evitar empresas com riscos reputacionais pode ajudar aos retornos no longo prazo, as acções de empresas ligadas ao "pecado" têm apresentado melhores desempenhos.

Segundo a Bloomberg, o índice americano que agrupa empresas de armamento, tabaco, jogo e bebidas alcoólicas ganha 21%, este ano. É mais do dobro da subida do S&P 500. Nos últimos cinco anos, o índice do "pecado" ganha cerca de 125%, o que compara com 70% do S&P. Esta diferença pode ser uma dor de cabeça para os gestores que querem manter as carteiras apenas em cotadas éticas. Na sabedoria popular de Wall Street, esta tendência das acções do "pecado" para baterem o mercado é explicada com um prémio reputacional que os investidores conseguem tirar desses sectores.

Mas um estudo publicado no Journal of Portfolio Management constata que os retornos superiores são explicados não por essa atracção pelo "pecado", mas por estas empresas terem factores de rentabilidade e de investimento mais fortes. Os autores defendem que os investidores éticos podem encontrar empresas com factores similares fora da indústrias do "pecado". Pode dar mais trabalho. Mas é uma forma de resistir à tentação.

 

Jornalista

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