Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de Novembro de 2016 às 09:00

As Américas e a vitória de Donald Trump

Donald Trump ganhou. Sabe-se ainda muito pouco do que vai fazer. Seja a nível interno, seja externo.

Mas, passado o momento do "choque", há quem comece a reflectir sobre os efeitos desta vitória no mundo real. No El País/Brasil, Juan Arias reflecte: "O Brasil não está livre do perigo de que um Trump possa chegar ao Planalto. (…) O Brasil sofre um forte clima de antipolítica. Os brasileiros começaram a repudiar os políticos tradicionais aos quais consideram como 'todos corruptos'. O eleitorado cristão deu a vitória a Trump, o defensor dos valores tradicionais e conservadores da família e da Pátria. E o Brasil possui um tecido religioso massivamente cristão entre católicos e evangélicos."

No argentino Clarín, Marcelo Bonelli lembra os negócios do pai do actual Presidente argentino com Trump. Que não correram bem. E acrescenta: "A Trump não lhe interessa a América Latina e o Governo argentino cometeu horrores profissionais nas suas apostas públicas a favor de Hillary Clinton. A surpresa da eleição nos EUA tem uma conexão com a de Inglaterra: a falta de resposta social que gerou a concentração financeira e os prejuízos no emprego." Já Konrad Yakabuski, no Globe and Mail do Canadá, fala da impossibilidade de Trump recuperar os empregos perdidos na "cintura industrial" americana: "Trump não pode fazer voltar atrás a tendência de robotização tal como a mudança geográfica da indústria dos EUA dos estados do 'Rust Belt' para os do Sul com impostos e leis laborais mais amigas das empresas." E refere que a ideia de combater a "guerra ao carvão" de Obama é um mito: "Foi o mercado, e não Obama, o responsável pelo declínio da indústria americana do carvão, com a chegada do mais barato gás natural." E finaliza: "Talvez alguns dos votantes que apoiaram Trump saibam intuitivamente que ele não vai poder fazer regressar esses empregos da velha economia."

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