Jorge Marrão
Jorge Marrão 16 de outubro de 2017 às 19:57

As costas largas de uma sociedade justa

Prometem mais a uns portugueses, escondendo que estão a subtrair a outros o produto do seu trabalho e a sua liberdade económica.

A FRASE...

 

"Weidmann diz que os 'superavits' da Alemanha são apropriados para um país que se torna mais velho e que necessita de poupar para o futuro."

 

Governador do Banco Central alemão, Wall Street Journal, 16 de outubro de 2017 

 

A ANÁLISE...

 

A esquerda "gerigonçal" paralisou e baralhou as ideias e a ação que o centro-direita e a direita podem ter para o país. Aquela, ao centrar tudo no Estado - isto é, tributar e regular massivamente a vida dos portugueses, sacar dinheiro aos credores externos com sucessivas emissões de dívida pública a preços baixos, aproveitando a boleia do BCE, e decidir não reduzir sustentadamente a dívida pública -, ofereceu a uma sociedade civil e empresarial fragilizadas aquilo que mais querem: fingir que estamos seguros no caminho traçado, fazer acreditar que os rendimentos estão a ser devolvidos, inundar com novas benesses os servidores do Estado para os aliciar como eleitores para se fazer justiça social, e corromper, ainda que dentro da lei, a classe empresarial que vive dos efeitos da despesa pública. Este círculo vicioso foi momentaneamente interrompido por uma troika diabolizada pelo "status quo" estatista e por uma social-democracia complexada com a sociedade de risco e com menos Estado.

 

A social-democracia do centro (PSD) esconde-se de parte da sua essência. Não pode indiciar-se como sendo de direita ou centro-direita. E o conservadorismo e pouco liberalismo que resta (no PSD e CDS), para conquistarem a opinião pública, às vezes querem fazer-se passar por distributivistas para participarem no campeonato da justiça social. Prometem mais a uns portugueses, escondendo que estão a subtrair a outros o produto do seu trabalho e a sua liberdade económica. Agora que a esquerda governamental se convenceu finalmente que o défice tem de ser baixo, escancarou as portas para a defesa da justiça dos impostos. Propalar que a sociedade tem de ser mais justa torna as costas largas dos políticos da dívida e dos impostos. Os da poupança e os da baixa carga fiscal têm de aguardar por melhores (piores) dias.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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