Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 02 de janeiro de 2017 às 10:15

As crises evitam-se, não se remedeiam

Todos os anos, por esta altura, nós, os jornalistas, temos por hábito perguntar aos gurus "(whatever that means") o que acham que vai acontecer no ano seguinte. Se o leitor der uma olhadela em tudo o que esses gurus já disseram nos últimos dias, e que vão dizer nos próximos, encontrará meia dúzia de denominadores comuns.

Todos os anos, por esta altura, nós, os jornalistas, temos por hábito perguntar aos gurus "(whatever that means") o que acham que vai acontecer no ano seguinte. Se o leitor der uma olhadela em tudo o que esses gurus já disseram nos últimos dias, e que vão dizer nos próximos, encontrará meia dúzia de denominadores comuns: as taxas de juro vão subir, as eleições francesas podem dar cabo do euro, a banca italiana é uma dor de cabeça para toda a zona euro, a continuar pelo atual caminho Portugal não se livra de novo resgate, a geringonça está de boa saúde, ninguém sabe o que vai sair da cabecinha de Trump, etc, etc, etc.

Quando se colocam tantas peças num tabuleiro, é provável que algumas delas acertem em alguma coisa. É por isso que algumas das previsões avançadas acima (e outras), se venham a concretizar. Mas vamos levar este esforço um pouco mais longe. Se o leitor reparar, a maior parte das situações de que se falou redundam em crises: o eventual fim do euro, o disparo das taxas de juro, o contágio de um problema na banca italiana ao resto dos bancos da zona euro, um novo resgate a Portugal…

Pergunta: para quê centrar a nossa atenção na eclosão de crises? Porque não nos concentramos em evitá-las. Afinal prevenir uma crise é mais barato, e tem menos consequências, do que remediá-las. Experimente recuar dez anos na vida do Euro e faça esse raciocínio: se a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu, o Conselho Europeu e os reguladores tivessem feito o seu papel, a crise do euro não teria sido evitada? E os bancos europeus não teriam sido poupados a uma crise que já custou aos contribuintes europeus dezenas de biliões de euros?

Há crises que não se conseguem evitar. Não por falta de alertas, mas porque as pessoas não estão preparadas para ouvir más notícias.


"Easier said than done", dirá o leitor. É verdade. Há crises que não se conseguem evitar. Não por falta de alertas, mas porque as pessoas (leia-se eleitores) não estão preparadas para ouvir más notícias: alguém aceitava, em 2006, críticas à condução da política orçamental de países como Portugal, Grécia, Itália e até França? Veja-se como foram recebidas, intra muros, as críticas à política financeira de José Sócrates…

Mas é para isto que servem as elites (não tenho a certeza que existam em Portugal…), os opinion makers e os estadistas (conhece algum?); para remar contra a maré. Não para ir com a maré…

Tornamo-nos impopulares por causa dessa postura? Sem dúvida. Mas isto não é um concurso de "misses", onde a simpatia conta para a eleição final. É um exercício de cidadania.


Quando o "Negócios" me pediu para escrever sobre o que se pode passar em 2017 comecei por fazer o mesmo raciocínio de anos anteriores: elencar um conjunto de factos e pensar sobre eles. Mas rapidamente mudei de ideias, para centrar a atenção no que devemos fazer, como sociedade, para prevenir uma próxima crise. Ou para minimizar o seu impacte nas nossas vidas. E cheguei a uma conclusão: quanto mais sólida estiver a casa (por exemplo ter contas públicas equilibradas), menos abalos sofreremos se houver uma tempestade.

É lapalissiano não é? E os comportamentos que levam às crises, não são?

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mais votado surpreso 02.01.2017

Com o PS ,as crises criam-se .Depois, a "direita" que resolva

comentários mais recentes
Bolo de chocolate 02.01.2017

Num tachinho com o lume no mínimo, para não deixar ferver, derreta o chocolate com a manteiga (não é necessário banho-maria). Adicione as natas aos poucos, à medida que o chocolate for amolecendo devagar, e vá mexendo até obter um creme brilhante. Acrescente o açúcar e mexa mais um minuto.

boy super podre 02.01.2017

Força Maria Leal

Oh PIM PIM 02.01.2017

Vai levar no POM POM

El Kamelote 02.01.2017

Mais uma análise de werda do "jornalista"

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