Fernando  Sobral
Fernando Sobral 09 de outubro de 2017 às 09:39

As empresas estão a fugir da Catalunha?

A crise anunciada no sector financeiro (possíveis saídas dos bancos CaixaBank e Sabadell de Barcelona) pela iminente declaração unilateral de independência da Catalunha poderá atingir outros gigantes industriais.

Não sendo tão fulcral como na banca (onde a falta de confiança pode motivar saída de depósitos), a situação indefinida pode levar a decisões ousadas. Fala-se já da possibilidade de empresas como a Gas Fenosa e Abertis estarem a ponderar o seu futuro. No Publico.es, Vicente Clavero escreve: "CaixaBank e Banc Sabadell nasceram na Catalunha e têm profundas raízes nesse território. Ali sempre estiveram as suas sedes, tanto a social como a operativa. Têm catalães à frente: Jordi Gual no caso do CaixaBank e Josep Oliu no do Sabadell. Mas há algum tempo que ambas as entidades deixaram de ser locais e figuram entre as maiores do sistema financeiro espanhol. Como transferir a sede para Madrid seria demasiado ignóbil, o Sabadell decidiu levá-la para Alicante. (…)"

No El Mundo, Carlos Segovia conta uma história interessante: um dos simples do catalanismo, Miquel Roca Junyent, é o encarregado da arquitectura jurídica para retirar o Sabadell da Catalunha. Escreve: "O eco do que Roca transmite na saída de uma perigosa Catalunha que aspira a ser independente é um símbolo. Roca foi secretário-geral adjunto da Convergència com Jordi Pujol e porta-voz parlamentar da CiU nas Cortes entre 1977 e 1995." Deixou a política e tornou-se advogado. Mais: "O veterano advogado catalão criticou a secessão e afirmou em conferências que uma Catalunha independente não resolveria os problemas económicos. Não só não os resolve, como ele próprio organiza a primeira grande fuga antes que se precipite ainda mais rumo ao abismo." Já no La Vanguardia, Daniel Innerarity argumenta: "Porquê contentarmo-nos com uma vitória quando poderíamos conseguir algo melhor: um pacto? Quem renuncie de imediato a tentá-lo estará a dar razão a quem no outro lado defende a mesma imposição."


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