Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 11 de outubro de 2017 às 20:15

As escolhas dos eleitores

A globalização actual, como as anteriores, não tem um autor nem é uma opção que possa ser rejeitada. É uma dinâmica que se estabelece entre factores e estes são independentes das vontades - em especial, não podem ser travados pelas escolhas dos eleitores.

A FRASE...

 

"Multiplicam-se, por todo o lado, o nacionalismo e o proteccionismo. O comércio mundial cresce muito mais lentamente, arrastando em baixa o crescimento de toda a economia. Há quem pense que pode ser um caminho. No final, estaremos todos pior."

 

Daniel Bessa, Expresso, 29 de Setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

A globalização é um processo, não é uma opção. Não é por se recusar os efeitos da globalização que se consegue interromper ou encerrar um processo que é alimentado pela evolução da tecnologia e da sua aplicação nas redes de comunicação e na automatização dos processos industriais e do tratamento da informação. O actual processo de globalização, tal como o que se iniciou no século XV e que permitiu a expansão europeia, decorre da aplicação das tecnologias para reduzir o efeito diferenciador do espaço, o que significa que o território deixa de ser uma defesa para passar a ser um alvo que é procurado e é atingido pelas estratégias dos que têm os meios tecnológicos, a vitalidade demográfica e os quadros culturais para desenvolverem uma estratégia de expansão.

 

Sendo um processo, a globalização acelera a sua dinâmica quando há alteração dos diferenciais de poder entre sociedades e entre regiões culturais (o que permite a expansão e o domínio de umas sociedades e regiões culturais sobre as outras). E amplifica a intensidade das suas mudanças quando se alteram as tendências demográficas em diferentes regiões culturais, com implicações nos respectivos potenciais de crescimento, nos constrangimentos para o financiamento das suas políticas públicas e na alteração dos diferenciais de poderes entre sociedades, entre áreas culturais e entre blocos geopolíticos, estruturados pelos sistemas de alianças e pelas relações de afinidades culturais. O que justificou o longo domínio do Ocidente (a vitalidade demográfica e o quadro cultural do cristianismo) está em declínio - nos Estados Unidos e na Europa. 

 

A globalização actual, como as anteriores, não tem um autor nem é uma opção que possa ser rejeitada. É uma dinâmica que se estabelece entre factores e estes são independentes das vontades - em especial, não podem ser travados pelas escolhas dos eleitores. Quando os responsáveis políticos permitem que os eleitores confundam o que é um processo com o que pode ser determinado por uma opção dos eleitores, abrem o caminho para o fracasso estratégico.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar