António Moita
António Moita 19 de novembro de 2017 às 20:14

As greves em tempo de geringonça

O Governo, esse, lá vai fazendo de conta que negoceia com os parceiros desta espécie de coligação, apresentando vagas promessas de resolução do problema nas próximas legislaturas.

Normalmente, tal como a Constituição prevê, compete aos trabalhadores definir o âmbito dos interesses a defender através da greve. Face à realidade atual, poderíamos acrescentar ao texto constitucional, sob a superior orientação técnica e política do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.

 

Independentemente da justeza das razões que poderão assistir a trabalhadores de setores tão diferenciados como a indústria automóvel ou os professores, a verdade é que o impulso para a paralisação e para as reivindicações apresentadas está ligado a interesses partidários. Se obtiverem algum ganho de causa, por pequeno que seja, poderão sempre usar o facto como bandeira eleitoral futura.

 

A confirmar esta ideia está o absurdo do caderno reivindicativo. Ninguém no seu perfeito juízo aceitará tal ataque ao equilíbrio das nossas contas públicas. Agora seriam os professores, depois viriam todos os outros funcionários públicos. Depois da reposição dos salários e da contratação a título definitivo de milhares de novos funcionários, pretende-se voltar a impor planos de carreiras como se nada de relevante tivesse acontecido no país nos últimos anos. Mais encargos com o pessoal refletidos já no Orçamento para 2018 e um ainda maior desequilíbrio nas responsabilidades futuras da Segurança Social.

 

Como é que ainda alguém embarca nas conversas dos Nogueiras e das Avoilas do movimento sindical português e não percebe que estes agitadores não querem saber das classes profissionais que representam, mas estão a cumprir a patriótica missão de garantir a sobrevivência de partidos como o PCP e o BE?

 

O Governo, esse, lá vai fazendo de conta que negoceia com os parceiros desta espécie de coligação, apresentando vagas promessas de resolução do problema nas próximas legislaturas desde que a começar para lá de 2020. Prometer hoje na esperança de que dentro de alguns anos apareça alguém disposto a pagar a conta. Onde é que nós já vimos isto…

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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