Fernando  Sobral
Fernando Sobral 24 de outubro de 2017 às 09:39

As múltiplas encruzilhadas da Catalunha

O extremismo está à solta na Catalunha. E resta agora saber, depois da decisão de Mariano Rajoy, de suspender (um pouco) a autonomia catalã e convocar novas eleições para a região, quais serão as cenas dos próximos capítulos.

No El País, o escritor Javier Marías ficou chocado como alguns independentistas falaram de "métodos de tortura" da polícia no "plebiscito" de 1 de Outubro. E escreve: "A grande ofensa é contra os que estão ou estiveram na verdade oprimidos e privados de liberdade, contra quem não desfrutou de um átomo de democracia nas suas vidas e jamais votaram. Para começar contra todos os espanhóis, que vivemos e padecemos o franquismo, sob o qual não havia partidos políticos ou qualquer liberdade de expressão e um estudante podia passar dois anos na prisão por atirar gravilha; um sindicalista, nem falemos. Não apenas os catalães o sofreram. É uma ofensa contra as populações do Iraque e da Síria que estão ou estiveram debaixo do Daesh, onde isso sim é opressão e humilhação. (…) Falar dos 'métodos de tortura' da polícia no 1 de Outubro (…) é uma ofensa aos que sofreram torturas verdadeiras no mundo."

No El Mundo, Federico Jiménez Losantos argumenta: "O separatismo está tocado, não afundado. E lutará violentamente. Mas perdeu o que sempre teve: a iniciativa." E no El Confidencial, Nacho Cardero escreve: "Enquanto Junqueras se esforça inutilmente - veja-se a sua falhada reunião com as multinacionais - para apagar os incêndios provocados pela fuga contínua de empresas, muito perto dele tem Oriol Soler, o Rasputin da Generalitat, que não apenas se esmera em pisar-lhe a mangueira, mas que passa também horas atirando gasolina para o fogo. (…) Enquanto a opinião pública se questiona sobre que mente está por trás da sofisticada propaganda secessionista, isto pôs Oriol Soler onde ele não queria: nas capas dos jornais."



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