Jorge Marrão
Jorge Marrão 27 de setembro de 2017 às 19:57

As oportunidades da direita

Os partidos, na atual formulação, não são capazes de construir um futuro sem terem de prestar contas do passado, nem independentes para se libertar do "status" dos interesses instalados.

A FRASE...

 

"Não percebo bem o que possa significar politicamente um novo ciclo. Gostaria apenas que quem não é da geringonça fosse capaz de começar OUTRO ciclo."

 

Maria João Avillez, Observador, 27 de Setembro de 2017  

 

A ANÁLISE...

 

Esta crise vai trazer uma nova oportunidade à direita de afirmar o seu papel liberal e conservador, num mundo agora recheado de protecionistas, independentistas e manipuladores de eleitorados. Mas, o mapa a construir abalará os próprios alicerces da direita. Não é a direita e o centro-direita que estão perdidos, é uma esquerda ávida de poder para esconder as fragilidades do que nos trouxe até aqui que criou um muro que nos impede a todos de ver o futuro.

 

Para cá do muro, os debates são esquizofrénicos, recheados de episódios e de "fait-divers" para puro entretenimento coletivo. Para lá do muro, há um mundo de oportunidades que nos está ser escondido, e que não se pode revelar. Vale mais discutir décimas de aumentos do salário mínimo nacional do que debater por que motivo um trabalhador da Europa desenvolvida ganha três a quatro vezes mais do que um português.

 

Os ricos parecem ricos numa pobre terra, mas são pobres num rico mundo, e os pobres consideram que melhoraram a sua posição, porque desconhecem o que lhes estão a fazer para os impedir de sair dessa pobreza. O Leste percebeu tudo quando o seu muro de certezas caiu.

 

Os partidos, na atual formulação, não são capazes de construir um futuro sem terem de prestar contas do passado, nem independentes para se libertar do "status" dos interesses instalados. O impasse e a resignação parecem estar a vencer. A crise estrutural portuguesa (dívida elevada, crescimento débil, envelhecimento populacional, ausência de poupança e de capitais privados em escala e um Estado capturado pelas corporações e por ideologias bafientas) não tem solução no atual regime político e partidário. A paciência das pessoas é um facto. Demonstra a nossa brandura de costumes, ou teremos uma inteligência coletiva que nos obrigará a derrubar os muros que nos prendem a este retângulo sem rumo?

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar