Rui Barroso
Rui Barroso 27 de setembro de 2017 às 20:30

As super-empresas que distorcem a economia

As empresas americanas têm cada vez mais dinheiro nos cofres. Uma das interpretações para essa acumulação de liquidez é de que existem sectores em que a concorrência é mínima.

E isso, por sua vez, pode estar a criar "distorções nas leis macroeconómicas", segundo uma nota da Pictet. "Existe uma redução acentuada do nível de concorrência no mercado devido à ascensão de um pequeno número de empresas 'superestrelas' com um poder crescente e forte capacidade de dominar os seus mercados", refere. Com posições mais dominantes fica mais fácil gerar dinheiro. As empresas americanas tinham 2,26 biliões de dólares em liquidez, no segundo trimestre, o equivalente a 11,7% do PIB, a proporção mais elevada desde 1955. E essa acumulação de liquidez pode ser um dos factores na base dos puzzles económicos actuais, "da persistência da baixa inflação (apesar da evolução no mercado de trabalho) à imagem débil do investimento (apesar da elevada confiança das empresas)", diz. A gestora questiona se esta alteração no ambiente concorrencial pode ou não ser uma fonte de desequilíbrio. E dá como certo que é por isso que a maior economia do mundo não está a seguir o guião inscrito nos manuais de economia.

 

Jornalista

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