André  Veríssimo
André Veríssimo 17 de janeiro de 2017 às 09:38

As três letras da discórdia

A redução da Taxa Social Única (TSU), acordada na concertação social como contrapartida pela subida do salário mínimo, deixou o país político às avessas. Sociais-democratas contra Passos Coelho, Catarina Martins ao lado do PSD. O acordo com os parceiros sociais na corda bamba.

Ora a corda rompeu quando o PSD anunciou que votaria ao lado do Bloco de Esquerda e do PCP contra a descida da TSU a cargo das empresas. Manuel Villaverde Cabral escreve no Observador que era a António Costa e ao PS a quem cabia garantir a viabilização parlamentar da medida. No Observador, questiona se o Governo estava à espera "que o PSD viesse tirá-lo de um enorme embaraço político que expõe à vista de todos a fragilidade da base governamental?" Depois de não ter existido qualquer iniciativa prévia para "solicitar um eventual apoio das oposições".

Paulo Baldaia considera ser evidente "que a intenção de Passos Coelho é apenas afirmar a sua liderança e não discutir as virtudes do acordo de concertação social" e que com isso "se menoriza quando se pretende agigantar". "A pequena política, a que hipoteca convicções, procurando ganhos conjunturais, não assegura grandes futuros." Mas Passos tem uma escapatória: a abstenção. Irá usá-la?

Rui Tavares vê a TSU como mais um episódio numa crise mais profunda do partido, a que chama de "pasokização" do PSD, fenómeno que já atormentou o PS. No Público, o coordenador do Livre escreve que "o PSD não é conhecido hoje em dia senão por quatro anos de austeridade e a vontade mal disfarçada de que o diabo apareça para lhe dar razão contra o novo Governo". E mais à frente: "Os problemas do PSD (...) são estruturais. Poderão não chegar para dar ao partido o destino do Pasok, mas deveriam ser suficientes para o fazer despertar e obrigá-lo a redefinir a sua missão na política e na sociedade portuguesa." E qual é ela? Rui Tavares não diz.

A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
surpreso 18.01.2017

Eu não quero que os meus impostos paguem 26 porcento do aumento do Salário Minimo.Quem quer que o diga claramente,não disfarce a atacar Passos Coelho