Alberto Tavares
Alberto Tavares 25 de maio de 2017 às 22:07

Aumentar a produtividade com filosofia

Dizer que a produtividade da economia portuguesa é baixa quando comparada com os seus congéneres europeus é já, e lamentavelmente, um lugar-comum.

Ouvimos demasiadas vezes este juízo de opinião - que, segundo os números, tem fundamento há décadas - mas não questionamos o porquê dessa realidade tanto como deveríamos.

 

Se os portugueses são dos que trabalham mais horas por dia e a sua competência e dedicação são com frequência valorizadas além-fronteiras, o problema não está na dedicação, nem na personalidade coletiva dos cidadãos. Mais, hoje em dia, temos a geração mais qualificada de sempre de portugueses. O problema está, sim, nos modelos organizacionais. A produtividade de uma empresa industrial depende, aliás, da forma como organiza as suas tarefas desde a encomenda de matéria-prima até ao momento da boa cobrança das suas vendas…

 

Quantas vezes é que nos perguntamos se devemos executar ou quanto tempo demoramos a fazer determinada tarefa? Quanto é que ela nos custa e qual a sua rentabilidade? Haveria outro modo de a fazer de forma mais eficiente? É certo que a rotina é importante para as nossas mentes se focarem em atividades mais desafiantes e complexas, mas não podemos deixar-nos absorver por ela. Refletir e refazer a rotina é um desafio complexo…

 

Se queremos ser mais produtivos - e temos de o ser se queremos aumentar os rendimentos -, temos de questionar o nosso dia a dia, o "status quo", até porque a soma de pequenas mudanças dá, por vezes, origem a grandes resultados. Este foi, no fundo, o pensamento que esteve na base do desenvolvimento da filosofia Kaizen, que foi implementada pelas empresas japonesas a partir da década de 50 para recuperarem do pós-guerra. A filosofia consiste num esforço de melhoria contínua, que beneficie a empresa e o colaborador, e parte do princípio que o tempo é o melhor indicador isolado de competitividade para, dessa forma, identificar e reconhecer desperdícios que possam ser eliminados.

 

Quando cheguei à Olbo & Mehler – especialista e líder mundial na produção de têxteis técnicos para fins industriais –, a empresa que dirijo, senti necessidade de promover uma revisão do modelo organizacional, para assegurar o crescimento sustentado da empresa. Depois de uma análise e mapeamento de todas as atividades, que identificou oportunidades em termos de otimização dos espaços de trabalho, de processos e do fluxo de informação, implementámos um conjunto de alterações em termos de organização, desde a gestão de matérias-primas, tempos de "set up", gestão de "stocks", planeamento de produção, fluxos de informação e tratamento sistemático de problemas, que nos permitiram aumentar a produtividade em 14%, nos últimos 18 meses. A ambição que temos, agora, é elevar esse indicador aos 20% no curto prazo. Para isso, temos estabelecida uma metodologia que nos obriga a refletir diariamente, e em equipa, e identificar oportunidades de otimização. Queremos todos os dias melhorar em tudo o que fazemos, porque só assim podemos pensar em crescimento sustentado. Espero que este exemplo motive outras empresas a analisar os seus processos, para melhorarem a sua produtividade e ajudarem a estimular a economia do nosso país.

 

CEO Olbo & Mehler

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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