Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 05 de setembro de 2017 às 19:20

Balanço Crítico

No marketing político, o balanço crítico do exercício do poder pelo seu detentor é o pilar que legitima as candidaturas de oposição e está por conseguinte na base do confronto político.

O marketing hoje estende-se muito para lá da sua área de origem: a promoção comercial de produtos e serviços oferecidos por empresas privadas. Os seus princípios e as suas técnicas estendem-se a todos os domínios da vida, incluindo as associações sem fins lucrativos e até mesmo a política.

 

Agora que se aproximam as eleições autárquicas, temos uma excelente oportunidade de ver o marketing político em plena atividade. Embora reguladas e restringidas no marketing empresarial, as campanhas pela negativa são perfeitamente legítimas e abundantemente utilizadas no campo político.

 

Uma campanha pela negativa consiste em apontar aos eleitores as razões pelas quais não devem votar nas candidaturas adversárias. Desde que se situem no campo da estrita verdade, este tipo de campanha é legítimo e constitui até a base da responsabilidade política.

 

Confrontar o candidato instalado no poder com as promessas não cumpridas, com as decisões erradas, com as escolhas que ferem o interesse da maioria em proveito de uma minoria, é uma forma de campanha pela negativa essencial para uma democracia saudável.

 

Sem uma campanha de balanço crítico da atuação passada dos detentores do poder, qualquer outra candidatura terá dificuldade em justificar a sua presença, em mobilizar eleitores, em angariar apoios, em se afirmar e muito mais em ganhar.

 

Esta é uma das razões centrais por que os presidentes dissidentes normalmente ganham às candidaturas dos seus anteriores partidos. É que esses partidos têm muita dificuldade em fazer um balanço crítico credível da atuação do seu anterior correligionário.

 

As grandes coligações autárquicas, em que vários partidos mesmo sem uma coligação formal gerem conjuntamente uma autarquia, acabam também por impedir o balanço crítico da atuação passada e em dificultar a justificação de uma alternativa por quem no passado não era crítico.

 

No marketing político, o balanço crítico do exercício do poder pelo seu detentor é o pilar que legitima as candidaturas de oposição e está por conseguinte na base do confronto político.


Economista


Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar