Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 28 de dezembro de 2017 às 22:37

Boa-disposição e sucesso

Cuidado com a má-disposição, porque quem se habitua a ser mal-encarado, cabisbaixo, anos a fio, não vai mudar de um dia para o outro. A força do hábito é uma boa expressão.

Significa que aquilo a que nos habituamos acontece sem que nos esforcemos muito. A força está mesmo no hábito. Já o escritor inglês John Dryden (1631-1700) o havia dito: criamos os nossos hábitos e depois eles criam-nos a nós; Freud (1856-1939) e depois McLuhan (1911-1980), um no contexto do psíquico, outro no dos novos media, enfatizaram a mesma ideia. Habituamo-nos ao que fizemos, dissemos e inventámos - e depois é difícil mudar. Modelamos o que inventamos e o que inventamos modela-nos a nós.

 

O bem-estar, em parte, é também um hábito, que assenta no envolvimento emocional. A ciência tem mostrado que é mais fácil ter êxito estando bem-disposto, sentindo-nos bem e felizes com o que já conseguimos, sorrindo e tendo esperança. A positividade, escreve Shawn Achor na obra "The Happiness Advantage", é o caminho mais curto para o sucesso.

 

Assim, não é tanto o sucesso que leva ao bem-estar e à felicidade, mas o contrário: o bem-estar e o optimismo é que tendem a levar ao sucesso. O optimismo, a positividade em geral, diz hoje a ciência, é um caminho eficaz para o êxito. Bem-dispostos, agimos melhor; os cinco sentidos captam mais, raciocinamos melhor, temos mais energia e confiança e somos mais criativos; e é mais fácil ter sucesso.

 

O sucesso, costuma dizer-se, está no fim de uma vida de trabalho e sacrifício. Pode ser, mas atenção, não se habitue a ser mal-encarado porque pode não mudar quando chegar o sucesso; vai festejar, mas pontualmente; depois vai voltar ao habitual.

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