Boaventura Sousa Santos deu uma notável entrevista ao jornal "i". Notável pelas teorias da conspiração que fabrica e pelas tolices que diz.
Boaventura Sousa Santos deu uma notável entrevista ao jornal "i". Notável pelas teorias da conspiração que fabrica e pelas tolices que diz.
Ora veja: sobre Vítor Gaspar, avança que "tem passaporte português mas é alemão. Foi criado pelos alemães, foi educado por eles no
BCE. Este homem vê o mundo pelos olhos da Alemanha". Sobre o Euro, "descobriu" que foi "desenhado por um alemão, funcionário da Goldman Sachs" (coitado de Jacques Delors…).
Mas os momentos mais interessantes da entrevista são os que dedica à Goldman Sachs: "A capacidade de entidades como a Goldman vê-se aqui: os seus quadros têm passaportes diferentes mas pensam exactamente da mesma maneira". Logo aqui começamos a suspeitar que o dedo da Goldman, uma espécie de organização secreta que controla a finança internacional, está por todo o lado…
A confirmação vem depois, quando o sociólogo diz que "não precisamos de políticos para a receita que está a ser seguida, porque os homens da Goldman fazem o trabalho por eles". E quando, ao falar de Mario Draghi, sentencia: "O que se pode esperar de um homem da Goldman Sachs? É uma espécie de companhia majestática das Índias. A Europa tem a democracia suspensa. Nós estamos num sistema colonial em que os grandes líderes não foram eleitos: Papademos, Mario Monti, Draghi. Esses homens pertenceram todos à mesma empresa".
Mas a quintessência do pensamento de Sousa Santos revela-se noutro passo da entrevista: "Caminhamos para um sistema em que as sociedades são politicamente democráticas e socialmente fascistas". Já percebi onde é que Otelo e Vasco Lourenço foram buscar o substrato ideológico das suas intervenções…
camilolourenco@gmail.com