Fernando  Sobral
Fernando Sobral 18 de Novembro de 2016 às 09:33

Boris Johnson e o Brexit perdidos no nevoeiro

Ninguém parece perceber bem a política do governo britânico face ao Brexit. Nem, pelos vistos, o próprio Executivo de Theresa May sabe o que fazer. Claro que há ministros que ajudam à festa.

Boris Johnson foi agora ridicularizado por vários ministros europeus depois de ter dito ao ministro italiano da Economia, Carlo Calenda, que Itália iria defender o acesso da Grã-Bretanha ao mercado único porque assim não perderia as exportações de vinho prosecco para o Reino Unido. Calenda terá respondido: "OK, vocês vão vender menos peixe e batatas fritas e eu venderei menos prosecco para um país enquanto vocês venderão menos para 27 países." Não ficam por aqui as aventuras de Johnson. No Independent, John Rentoul escreve: "Os comentários de Boris a um jornal checo de que era um 'mito' que a livre circulação de pessoas era um princípio fundador da UE provocou fulminantes respostas de ministros italianos e holandeses. E efectivamente quem procurar no Google o tratado de Roma de 1957, título III, este é chamado: livre movimento de pessoas, serviços e capital." Mais: "Theresa May não fez Johnson MNE na esperança de que ele falhasse, mas é difícil ver como ele - ou a própria May, ou Davis, ou Fox - podem emergir do Brexit com um sucesso triunfante."

No Times, Patrick Kidd diz que "é difícil encontrar o caminho no meio do nevoeiro" e acrescenta: "A estratégia europeia de Theresa May começa a assemelhar-se à superlua desta semana: sabemos que deve estar lá e esperamos que seja impressionante, mas a coisa está tão encoberta nas nuvens que é difícil vê-la." Claro que muitos continuam a reflectir sobre Trump e a nova América. No Guardian, Thomas Piketty refere: "Vamos dizê-lo: a vitória de Trump é primeiro devida à explosão da desigualdade económica e geográfica nos EUA durante várias décadas e à inabilidade de sucessivos governos para lidarem com isso." O debate não terminou.


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