Fernando  Sobral
Fernando Sobral 04 de Novembro de 2016 às 09:29

Boris Johnson, o Titanic e a marijuana

O Reino Unido parece perdido no seu labirinto. Numa cerimónia de entrega de prémios, Boris Johnson disse que a Grã-Bretanha faria "a Titanic success of Brexit". A audiência gritou: "Foi ao fundo!"


Theresa May, presente no local, colocou a cabeça entre as mãos. Isto sucedeu depois de o governador do Banco de Inglaterra ter dito que sairá em 2019, regressando ao Canadá, numa altura em que é muito criticado pelos falcões do Brexit. No Spectator, James Forsyth escreve: "Se (Mark) Carney tivesse saído antes de a Grã-Bretanha ter deixado a UE teria enviado um mau sinal, sugerindo que estar a saltar da ponte levadiça em vez de olhar para a frente. A nomeação de Carney foi simbólica da extrema abertura da Grã-Bretanha: económica, social e política - precisamente as qualidades necessárias para o sucesso do Brexit."

Já Will Hutton, no Guardian, vê o problema de outra maneira: "A Grã-Bretanha enfrenta a sua maior crise em tempos de paz desde 1945." E acrescenta: "Apesar de os que querem deixar a UE dizerem que querem abraçar o globo, falam ao mesmo tempo de controlar as fronteiras para deixar os 'outros' fora." No meio deste debate sério que afecta os pilares da sociedade britânica, não deixa de ser curioso o texto de Matthew Lynn, voz muito escutada no meio financeiro, no conservador Daily Telegraph. Diz ele: "Qual poderá ser a indústria que mais pode crescer na Grã-Bretanha na próxima década? (…) A robótica tem o potencial de ser maior do que a indústria de computadores, devido ao leque de tarefas que as máquinas geridas pela inteligência artificial podem executar. (…) Mas se decidirmos que a queremos, poderá ser algo em que ninguém está a pensar agora. Legalizem a marijuana. Nos EUA a droga está a ser gradualmente legalizada em cada estado. Devagar, algumas figuras começam a emergir sobre o impacto económico disso - e é grande." O desafio é grande…
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Anónimo Há 4 semanas

No último segmento, a palavra 'figuras' é um lapso de tradução: 'figures', em inglês, significa 'números'.