Paulo Carmona
Paulo Carmona 12 de Dezembro de 2016 às 19:00

Capital para os bancos? Onde?

Mas mesmo que queiramos atrair capital estrangeiro também não é fácil. O setor bancário europeu afasta os investidores mais conservadores… e dentro dele, Portugal é temido pelas condições macroeconómicas instáveis e uma crise financeira cada vez mais provável.

A FRASE...

 

"Bancos precisam criticamente de mais capital."

 

Carlos Costa, TVI, 3 de outubro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

Nas palavras do governador é necessário reforçar o capital dos bancos para cobrir algumas perdas, garantir os "ratios" e permitir maior rendibilidade, indispensável para salvaguardar um setor essencial para o crescimento económico. Os bancos têm de ser mais rentáveis para poder atrair capital que por si é essencial para que os mesmos sejam rentáveis…

 

A tarefa de aumentar rendibilidade na banca, numa economia com pouco crescimento, com investimento público e privado em queda, é uma tarefa ciclópica. A somar a isto têm um aumento dinâmico e contínuo da regulação europeia e mundial, com custos de capital e de "reporting" enormes, e um Fundo de Resolução que ameaça consumir muitos fundos. Lá vão aumentando as comissões bancárias a todo o tipo de serviços, mas não será por aqui. E as taxas de juro baixas só complicam… enfim, é um pesadelo ser banqueiro hoje em dia.

 

E onde conseguimos o indispensável capital para os bancos? Em Portugal, não há. A única solução é vender ao estrangeiro, para salvar a banca. Entretanto levantam-se as vozes contra a banca nacional nas mãos de estrangeiros. Algumas delas responsáveis pelo estado calamitoso a que chegámos, na promiscuidade banca/política. E há alternativa? Ser estrangeira ou definhar?

 

Mas mesmo que queiramos atrair capital estrangeiro também não é fácil. O setor bancário europeu afasta os investidores mais conservadores… e dentro dele, Portugal é temido pelas condições macroeconómicas instáveis e uma crise financeira cada vez mais provável pelo fraco crescimento, alto endividamento e ausência de capital. Vemos o capital que temos conseguido para a banca. Ou investidores espanhóis de proximidade e extensão da sua zona territorial ou angolanos e chineses pela diversificação e parqueamento de capital, ou "hedge funds" a comprar na pechincha…

 

É o que temos, infelizmente…

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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