Fernando  Sobral
Fernando Sobral 07 de novembro de 2017 às 09:41

Carles na Bélgica. E a estratégia para o regresso

A tentativa de exportação para a Europa do problema catalão parece estar a dar algum resultado. Basta ver a confusão que já reina na Bélgica a propósito do mandado de captura internacional de Carles Puigdemont pedido por Espanha.

Será Carles o novo Tintin? O escritor Salman Rushdie, em entrevista ao El Mundo, partilha connosco as suas ideias sobre o problema catalão: "O que sei sobre o problema é que parece haver uma grande divisão dentro da Catalunha que se recorda o Brexit, quando a Grã-Bretanha estava mais ou menos dividida a 50%. E, por isso, o resultado é uma mudança colossal e, do meu ponto de vista, catastrófico. Essa é uma das razões que me fazem pensar que, se vais pedir às pessoas que votem num referendo que tem que ver com uma enorme mudança constitucional, que vai mudar a natureza do Estado, não é suficiente uma maioria simples. Necessitas ter uma maioria substancial, como 60% ou dois terços. Esse foi o grande erro britânico."

Ainda no El Mundo, Raul del Pozo escreve: "O espírito de análise é a doutrina oficial da democracia; mas os independentistas utilizaram fábulas, lepra retórica e maniqueísmo infantil para enlouquecer as pessoas. Apoderou-se das ruas um surrealismo catalão lacrimogénio. (…) A rebelião foi urdida pelos partidos independentistas com um orçamento secreto." No catalão La Vanguardia, Jordi Juan acrescenta: "A via do diálogo esfumou-se e as duas partes jogam todas as suas cartas numa espiral destrutiva contra o adversário. (…) Que ninguém se admire se o presidente cessante e fugido se apresente em Madrid dias antes do 21 de Dezembro - enquanto evitar a sua extradição - para ser preso na véspera das eleições. Seria a melhor campanha eleitoral para que os seus consigam ainda mais apoios nas urnas." Ou seja, a procissão, como se costuma dizer, ainda vai no adro.


pub