Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 22 de janeiro de 2018 às 21:05

"Certos pelas razões erradas"

Então o que distingue os partidos? Simplesmente o modo como tais resultados de progresso económico podem ser alcançados. BE e PCP insistem na via de estatização crescente, diminuindo o papel reservado aos mercados.

A FRASE...

 

"A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou o presidente eleito do PSD, Rui Rio, de ser 'a voz da direita conservadora' que 'quer voltar ao bloco central' e ao 'monopólio do negócio'."

 

Lusa, Observador, 21 de Janeiro de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Bloco de Esquerda e Partido Comunista são porta-estandarte da luta contra os salários baixos e a precariedade, argumentando que é imprescindível aumentar o emprego estável e a remuneração dos trabalhadores. Em si, duas causas muito nobres a que qualquer outro partido não tem nada a opor. Os dois objetivos são a realização suprema de uma sociedade livre e democrática, cuja sustentabilidade assenta numa classe média rica e dominante.

 

Então o que distingue os partidos? Simplesmente o modo como tais resultados de progresso económico podem ser alcançados. BE e PCP insistem na via de estatização crescente, diminuindo o papel reservado aos mercados (sobretudo de bens e serviços, com o argumento de que é necessário disciplinar e reprimir a voragem dos mercados financeiros). Uma opção errada, que limita as opções de crescimento das empresas privadas, e permite que estas usem desculpas quanto à sua responsabilização perante a sociedade.

 

Tal política resulta no favorecimento, por um lado, do emprego na função pública e, por outro, de pequenos negócios de iniciativa individual, de baixa sofisticação e complexidade e, logo, baixa produtividade e baixos salários. As estatísticas sobre o emprego e as remunerações do trabalho durante os últimos anos da governação estão aí para o documentar.

 

Não obstante os resultados precários, o apoio ao Governo insiste na mesma tónica, resultando em abundantes restrições nos mercados internos de bens e serviços, como o que se passa no sector da saúde, para dar apenas um exemplo de como o mecanismo de preços está a ser reprimido.

 

Negar a importância dos mercados - disciplinados por reguladores independentes - na alocação de recursos e colocar no Estado o papel de decisor de última instância sobre o que produzir e como produzir continua a ser, por razões que não vêm ao caso, a escolha inequívoca destes dois partidos. Não surpreende que estejam preocupados com a possível emergência de um contexto político que favoreça exatamente o desenvolvimento dos mercados, e exija às empresas privadas maior responsabilidade pelo desenvolvimento do país.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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