Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 31 de janeiro de 2018 às 21:00

"C'est le" Portugal 

Há uma nova revolução silenciosa que passa por áreas que não são as das tecnologias digitais e da informação, em curso, mas antes a biotecnologia, a inteligência artificial e a robótica, ou a nanotecnologia.

1 - "Precisamos de um programa aprofundado sobre os desenvolvimentos nos domínios da automação, robótica e inteligência artificial que apure os novos desafios tecnológicos e a sua compatibilização com os recursos laborais, organização do trabalho e emprego face ao crescimento da automatização de milhões de postos de trabalho na Europa e no mundo. Assistir-se-á assim não apenas a uma revolução tecnológica, mas também laboral que exige adaptações nos sistemas de ensino e na formação e qualificação dos portugueses" (Moção de candidatura "Um Portugal em Ideias").

 

Passarei agora a citar o texto de um artigo do Observador desta quarta-feira, dia 31, sobre uma moção de Carlos Moedas e Pedro Duarte:

 

"O mundo está a mudar a uma velocidade brutal (diz P.D.). E andam a discutir-se as mesmas coisas há cinco ou dez anos. Por isso, assumo que estas ideias possam ser revolucionárias e provocatórias. E acrescenta P.D.: "Acompanhamos ambos estas tendências. Conversamos sobre assuntos como a inteligência artificial, e fomo-nos apercebendo de que na política ninguém fala disto, onde parecemos uns aliens." E continua o texto:

 

"São temas que têm de começar a ser pensados (acrescenta C.M.). O objectivo não é ter uma opinião sobre os temas, mas colocá-los na agenda do partido." E novamente o texto do jornalista: " Por isso, apesar de lançarem algumas ideias que são originais no PSD não foram ao detalhe na concretização."

 

2. Como o tempo é escasso para qualquer leitor, que tem sempre mais que fazer, faço a ligação: os autores de uma moção a um próximo congresso dizem que ninguém fala de um assunto que, por sinal, foi muito falado pelo autor destas linhas no âmbito de uma candidatura recente. O primeiro texto deste artigo é o número vinte e quatro da moção apresentada pelo próprio a 2 de Janeiro do corrente ano. Aliás, esse número faz parte do eixo um, cujo primeiro tema é a inovação e está integrado no subcapítulo "Criar um ecossistema de inovação". Mais adiante, no subcapítulo com o título "Trabalho" , na mesma moção, escreve-se logo a abrir: "O futuro do trabalho está a mudar. Há uma nova revolução silenciosa que passa por áreas que não são as das tecnologias digitais e da informação, em curso, mas antes a biotecnologia, a inteligência artificial e a robótica, ou a nanotecnologia. A automatização e uma maior interligação substituirão empregos por computadores... com uma alteração progressiva de profissões e mudanças sector a sector."

 

Mais adiante, diz o texto sobre a moção C.M.- P.D.:

 

Os quatro pontos a desenvolver, de acordo com a moção, são os seguintes:

 

Ponto 1 - Ajustamento do modelo de ensino e formação adequada ao século XXI;

 

Ponto 2 - Aposta na cultura como pilar de criatividade e expressão artística… esta é uma área cronicamente desprezada segundo C.M. e P.D.;

Ponto 3 - Prioridade à inovação com base no novo modelo económico;

 

Ponto 4 - Afirmação de um Estado social moderno e ajustado à realidade presente e futura.

 

Volto a citar, sobre esses pontos a mesma moção "Um Portugal em Ideias ":

 

Ponto 1 - "É fundamental promover novos modelos de ensino e aprendizagem que promovam o conhecimento e as competências-chave para este século XXI";

 

Ponto 2 - "Promover a cultura como um recurso nacional criador de riqueza… e manifestação de talento de um povo que se afirma cada vez mais no mundo";

 

Ponto 3 - "Inovação"- já explicado atrás;

 

Ponto 4 - No eixo intitulado "Um Estado melhor - investir bem nas políticas sociais" essa qualidade tem de ser marca distintiva do nosso caminho na distinção de Estado solidário que vai para lá dum Estado social.

 

Eu sei que a candidatura que apresentou essa moção não ganhou. Mas as ideias não foram derrotadas. Na vida, contam as ideias, a compostura e os procedimentos. E quanto melhores as ideias mais impressão fazem, não quero dizer ligeireza, mas pelo menos distracção e, não quero dizer desfaçatez, mas, pelo menos a falta de atenção. Para terminar, não esqueço que Carlos Moedas deu um estímulo muito importante para a minha candidatura e que tenho com ele uma relação de muita estima e muita simpatia.  

 

Advogado

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comentários mais recentes
ISABEL 02.02.2018

Para ficar logo dentro do ambiente é melhor ir passar uns tempos ao Japão e esquecer memorandos tecnocraticos que começarão, talvez, a dar resultados quando chegarmos à revolucao industrial seguinte. Sobre o tema é interessante o documentário suíço Infrarouge que estará no youtube ou no site da RTS

JCarlos 01.02.2018

Um alerta para todo universo terraqueo. Tendências galopantes que não estão sendo analisadas devidamente em curto espaço de tempo e com graves consequências para as mais variadas atividades trabalhistas (desemprego).

Anónimo 01.02.2018

O mundo com a rivalidade inovadora dos EUA,Russia,China e India não será o mesmo de hoje.Como tropo de semelhança diria que estamos na idade média e daqui a 5-10-anos estaremos num novo Mundo tecnológico e seremos autênticos dinossauros se n houver acompanhamento.Estamos lixados.

Anónimo 01.02.2018

Economias como a alemã e afins desenvolvem e produzem tudo aquilo que é necessário para que esta revolução onde o factor trabalho será substituído a elevada taxa por factor capital se dê em todo o mundo. É natural que viva em pleno emprego nesta transição. Muitos ganhos sob a forma de lucros, rendas, mais-valias, dividendos, propriedade intelectual e juros terá depois. Portugal está com pleno emprego porque faz camas e serve almoços àqueles, e o seu sector público é dos poucos que oficialmente "não tem excedentários". Isto não vai acabar bem para Portugal. Tal como não acabou nas outras três revoluções industriais.

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