Fernando  Sobral
Fernando Sobral 09 de janeiro de 2018 às 19:43

Churchill e o PSD

Para se redimir, o PSD precisa de um líder que não seja como os outros. E que possa prometer vitória a um partido que sempre esteve no centro do poder. É isso que Rui Rio não faz.

Numa das primeiras cenas do filme "A Hora mais Negra", Clementine Churchill diz a uma personagem que o seu marido "é apenas um homem, como qualquer outro". Não é. E isso já nós o sabemos. Num momento crucial, Winston Churchill foi um líder como poucos. As suas frases, na véspera da batalha, soam a certezas: "Qual é o nosso objectivo? Posso responder numa palavra. Vitória. Vitória a todo o custo." Contra a mansidão da elite política britânica, complacente com Hitler, Churchill percebeu que só enfrentando a ameaça, haveria salvação. É nesses momentos que se forja um líder. O PSD não vive um momento tão dramático. Mas, afastado do poder, comprou bilhetes para uma viagem na montanha-russa: não sabe se há-de gritar de excitação, se há-de morrer de medo. Até porque, depois de a sua ideologia se ter congelado à volta de um sonho de tornar Portugal a Singapura da Europa através da austeridade e do empobrecimento material e cultural, o PSD ou emerge como uma alternativa ou arrisca tornar-se o Sancho Pança do D. Quixote/CDS.

 

É um risco claro. É por isso que, para se redimir, o PSD precisa de um líder que não seja como os outros. E que possa prometer vitória a um partido que sempre esteve no centro do poder. É isso que Rui Rio não faz: trazendo para a agenda, nas suas entediadas entrevistas, a possibilidade de um acordo com o PS (para evitar uma "nova geringonça"), o candidato não promete a vitória - agrada-lhe uma derrota honrosa. É uma curiosa maneira de querer ser chefe de algo. O PSD precisa de um líder que, como Churchill, prometa a vitória. Que não diga aos portugueses aquilo que querem ouvir. Que traga inspiração e criatividade para o debate público. Que não siga a opinião pública e os "focus groups". Mas que, antes, lidere o debate sobre os desafios que interessam ao futuro de Portugal. É isso, claramente, que Rui Rio não traz ao PSD nem ao país. É um político previsível, agreste e com desdém pela cultura. É um político como qualquer outro.

 

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