Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 26 de outubro de 2017 às 20:40

Chuva de milhões após o apocalipse

O Governo anuncia uma chuva de milhões no esforço de combate aos fogos e na reflorestação. O fundamental é que esse dinheiro seja bem aplicado. E há medidas urgentes que é preciso tomar de imediato desde o apoio às empresas atingidas pela catástrofe à preservação dos solos.

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Depois do apocalipse dos fogos e mais de 110 mortos nas duas maiores tragédias, o governo esquece as cativações e promete uma chuva de milhões para o combate aos incêndios e reflorestação. Mas entre as promessas e a realidade há sempre uma grande distância e não basta gastar os milhões: é fundamental que sejam bem gastos e resolvam os problemas.

Há questões urgentes que já deviam estar a ser tratadas. O realojamento das pessoas que viram as casas queimadas, o reinício da actividade das empresas que tiveram as suas instalações destruídas, com equipamento e matéria prima e a salvaguarda dos solos.

 

Por toda a Beira houve zonas industriais com empresas importantes que foram queimadas. Delas dependem centenas de postos de trabalho directos e milhares de empregos indirectos. Têm um papel vital na economia da região. É fundamental que recuperam rapidamente. Caso contrário haverá mais emigração de um território que é cada vez mais de baixa densidade humana. Não nos podemos esquecer que a desertificação humana que esta região tem sido submetido de forma gradual nos últimos 50 anos é uma das causas para os dantescos fogos que lavraram no dia 15 de Outubro.

 

A questão ambiental mais sensível, a par da qualidade da água contaminada com as cinzas e que também abastece as grandes cidades, é a preservação dos solos. No Norte e Centro, as regiões mais fustigadas, os solos são pobres e escassos. Sem a vegetação, a erosão vai agravar-se. Se não se fizer nada, haverá grandes manchas que eram floresta até meados deste mês que se transformarão, irreversivelmente, em rochas despidas.

 

Estas são as intervenções urgentes e ainda há que acautelar que neste estranho estio de Outubro não arda a floresta que resta. Depois há uma questão estrutural que se relaciona com a reflorestação e o reordenamento da floresta. Há um poderoso lobby contra o eucalipto. E de facto a monocultura desta árvore importada da Austrália tem efeitos perversos, mas há uma indústria importante que precisa dessa madeira e atacar esta produção como se fosse o supremo culpado dos fogos não passa de pura caça às bruxas. É preciso modelos florestais que defendam a biodiversidade, sem esquecer a vertente económica. São necessárias mudanças legislativas que facilitam o emparcelamento dos minifúndios a norte do Tejo. É preciso dinheiro para isso, mas se o Estado só deitar dinheiro no problema, sem resolver as questões de fundo, está a desperdiçar a última oportunidade de resgatar o interior do país.

 

Saldo positivo: Assunção Cristas

Fez bem em apresentar uma moção de censura por causa do falhanço do Estado nas tragédias dos fogos. Ganhou espaço político e aproveitou o vazio à direita provocado pelo período de transição de liderança no PSD. No debate, a líder do CDS esteve bem, com um discurso baseado em factos reais. O resultado da votação não surpreendeu, mas desta vez o Bloco de Esquerda e o PCP não deram carta branca a António Costa. Votaram com o governo, mas deixaram avisos.

 

Saldo negativo: greve da Função Pública

 

Hoje os sindicatos da CGTP organizam um dia de greve na Função Pública. Além de ser sexta-feira, é difícil encontrar a razão que justifique este protesto, até porque o conjunto dos funcionários públicos sai beneficiado na proposta de orçamento de Estado com descongelamento gradual das progressões e com mais entradas nos quadros. Este mês decorrem algumas acções de protesto que são perfeitamente compreensíveis, mas a greve de hoje carece de sentido.

 

Algo completamente diferente: o incrível registo de Cristiano Ronaldo

 

Ser considerado o melhor do mundo em qualquer oficio é algo extraordinário. Ter esse reconhecimento durante 5 anos é ainda mais impressionante. E quando falamos de uma área tão competitiva como o futebol entramos na dimensão das lendas. É o estatuto que já alcançou Cristiano Ronaldo, que divide com Messi o recorde de cinco troféus de melhor jogador do mundo. A rivalidade entre a estrela argentina e o capitão da selecção portuguesa é outro capítulo dourado na história do futebol. Nos últimos 10 anos eles foram os donos da bola de ouro. 

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Ventura Santos Há 3 semanas

Uma canção em louvor duma defensora dos agricultores: Oh rata ! Oh que linda rata ! Oh rata, lá das azeitoneiras ! A tua é a mais bonita, lá no meio das algibeiras !

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