Cristina Casalinho
Cristina Casalinho 03 de janeiro de 2017 às 21:00

Cinco passas para o Ano Novo  

Como economias mais fortes que a portuguesa provam, torna-se difícil assegurar ritmos de crescimento sustentável superiores a 1% com taxas de natalidade reduzidas quando não compensadas por saldos migratórios positivos.

Chegou o novo ano! No habitual rito de passagem, comem-se doze passas pedindo doze desejos para os próximos meses. Em vez de formular desejos para todos os meses de 2017, gostaria de elencar apenas cinco:

 

1. Há alguns anos, numa entrevista a este jornal, uma especialista em tributação, portuguesa radicada no Reino Unido, olhava os portugueses genericamente e considerava-os conservadores. Sendo a palavra conservador apresentada como sinónimo de conformado ou saudosista. Em inúmeras ocasiões, na apresentação de uma alteração ou uma inovação recorre-se ao paralelismo com uma posição perdida, oferecendo-se a novidade como uma forma de reposição. Frequentemente, as discussões enfatizam uma tentativa de regresso ao paraíso ou passado perdido em detrimento do avanço numa nova direcção: no sentido do desafio ou de assombro do inexplorado. É inelutável o desconforto causado pelo desconhecido. Assim, importa desafiarmo-nos, de olhos bem abertos, a pensar modelos novos para a estrutura produtiva, o financiamento, o mercado de trabalho, a produtividade, o ensino/formação,… Impõe-se uma posição menos conservadora face à mudança;

 

2. Portugal caracteriza-se por elevado nível de adesão e participação activa nas redes sociais; porém, o acesso a serviços por via electrónica encontra-se menos disseminado. Por exemplo, compras online ou a utilização da banca electrónica registam valores inferiores aos padrões médios europeus, contrastando com os níveis de acesso a redes sociais. A internet parece funcionar sobretudo como agregador social e emocional, subalternizando a dimensão mais económica. Porém, crescentemente, a faceta comercial da internet e da inteligência artificial ganha preponderância - dos carros autónomos, às mercearias sem caixas, passando pela consulta médica por algoritmo com auto-aprendizagem. A globalização, a automação da indústria, a digitalização dos serviços, as alternativas energéticas colocam desafios importantes à forma como uma comunidade se organiza, quer enquanto economia quer enquanto sociedade. É relevante que se saiba explorar as novas tecnologias na sua dimensão eminentemente prática, preparando-se melhor o futuro;

 

3. Num número recente, uma revista de referência anglo-saxónica publicou um artigo sobre "soft power", hierarquizando os países em termos desta forma de poder. Portugal surge classificado em 15.º (cito de memória) enquanto Espanha obtém a posição 12 num conjunto de cerca de cinquenta países. Cada país é brevemente analisado e feita uma recomendação. Para Portugal, a sugestão é: maior empenho ou esforço no de-senvolvimento e promoção da marca Portugal;

 

4. Como economias mais fortes que a portuguesa provam, torna-se difícil assegurar ritmos de crescimento sustentável superiores a 1% com taxas de natalidade reduzidas quando não compensadas por saldos migratórios positivos. É imperioso adoptar políticas de natalidade activas (existem vários países europeus, com abordagens variadas, com histórias de inversão/interrupção do declínio da natalidade) a par de medidas de estímulo a saldos migratórios positivos (v.g. atracção de imigrantes, preferencialmente com qualificações presentemente em falta no mercado de trabalho nacional);

5. A dívida portuguesa é elevada - é uma das mais altas do mundo em termos de PIB. Este resultado advém de significativos níveis de endividamento público e privado. Assim, importa actuar em duas vertentes (naquelas em que se detém algum controlo): aumentar a poupança e acelerar o crescimento num contexto de taxas de juro reduzidas, que poderão ter abandonado os seus patamares mínimos do ciclo. Muito feliz 2017!

 

Economista

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mais votado Anónimo 04.01.2017


Ladrões FP - CGA - - 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


As pensões douradas da CGA são SUBSIDIADAS em 500€, 1000€, 1500€ e mais… POR MÊS.


ESTAS PENSÕES DEVEM TER CORTES IMEDIATOS.


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Anónimo 04.01.2017


Ladrões FP - CGA - - 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


As pensões douradas da CGA são SUBSIDIADAS em 500€, 1000€, 1500€ e mais… POR MÊS.


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bucks 04.01.2017

Nos jovens sem futuro, e querem atrair imigrantes? HIPOCRISIA. Português é da idade da pedra.

luis 04.01.2017

atrair imigrantes com qualificações em falta, ou seja analfabetos para trabalhar sem receber.

Anónimo 04.01.2017

Imigrantes, tudo bem, mas qualificados. Caso contrário, como se vê com os imigrantes de baixa qualificação/baixo rendimento, o que existe ao seu redor são serviços/comércios low cost, do género cabeleireiros, unhas de gel, lojas de tudo a um euro, mercearias com produtos de baixa qualidade, restaurantes, cafés, lojas de vestuário, tudo de baixos preços. Ora isto não ajuda em nada a aumentar a exigência e a economia. Vejam-se as zonas urbanas da linha de Sintra. Tirando is hipermercados o que há? Velhos e imigrantes de baixo rendimento com economia de baixo rendimento,

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