Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 05 de fevereiro de 2017 às 18:45

Cinturas industriais que se tornam cinturas do conhecimento

Ofereceram-me, este Natal, um livro interessante, intitulado "The Smartest Places on Earth", que trata, duma forma razoavelmente inovadora, o tema das "Regiões de Desenvolvimento Tecnológico".

Na parte inicial do livro, os autores caracterizam estas "Regiões de Desenvolvimento suportadas no Conhecimento" através dum conjunto de variáveis, que podem ser encontradas, também, em outros manuais de gestão da inovação, de que se destacam:

 

- Estas regiões aceitam desafios complexos, multidisciplinares, integrados e caros, que não podem ser resolvidos a não ser neste tipo de ecossistemas;

 

- As entidades que compõem estas redes de inovação estão ligadas por um "conector", uma entidade gestora que assegura a manutenção do ecossistema;

 

- O sistema funciona em rede, em processo colaborativo, e é focado num número restrito de tecnologias e de parceiros.

 

- O modelo de inovação é o da inovação aberta, com partilha de conhecimento e de experiências entre os membros da rede;

 

- As redes digitais são úteis, mas não são suficientes para garantir a existência deste ecossistema, é necessária a existência de um centro físico;

 

- O ambiente de inovação é auto-alimentado, desde que se disponha de fontes de capital - semente adequadas;

 

- Embora operem em sistemas cooperativos, as ameaças competitivas, em particular as provenientes de outras regiões de conhecimento, estão sempre presentes.

 

A partir desta base conceptual, os autores desenvolveram uma teoria inovadora, suportada basicamente em duas hipóteses, que vão, posteriormente, demonstrar:

 

- As antigas "cinturas industriais", com indústrias tradicionais, podem vir a tornar-se "cinturas do conhecimento", com as propriedades atrás referidas.

 

- Os "clusters tecnológicos" a privilegiar resumem-se a três: tecnologias de informação e de comunicação, tecnologias dos materiais, e biotecnologias e ciências da vida.

 

Para demonstrarem estas hipóteses de investigação, os autores analisaram, em detalhe, várias regiões da Europa e dos Estados Unidos (mais de cinquenta), em que o processo de transformação das anteriores "cinturas industriais" em novas "cinturas do conhecimento" estava a ocorrer, através da construção de redes de conhecimento, integrando empresas, universidades, centros de investigação, entidades públicas e financeiras.

 

Os "clusters tecnológicos" selecionados por cada região, tiveram em consideração as áreas de conhecimento preferencial das suas universidades e centros de investigação, as competências específicas e as necessidades de inovação das suas empresas e o mercado potencial criado a partir deste processo.

 

Tentei, há alguns anos, construir, na região da Grande Lisboa, uma "Região de Desenvolvimento Tecnológico", com as características atrás enumeradas.

 

Sem sucesso. Os opositores ao projecto venceram.

 

Pode ser, que, de acordo com o modelo proposto neste livro, possam nascer "cinturas do conhecimento" a partir das "cinturas industriais" do Porto, Aveiro, Leiria ou Braga.

 

Gestor de empresas

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub