Jorge Muñoz Cardoso
Jorge Muñoz Cardoso 26 de outubro de 2017 às 22:28

Com os avanços tecnológicos e as mudanças geracionais, deixaremos de ter o nosso próprio carro?

É verdade que as vendas de automóveis em Portugal não mostravam um cenário tão positivo para o setor desde 2002, mostrando que a recuperação económica se começa a sentir, contudo pergunto-me se o futuro do segmento automóvel passará mesmo por sermos os proprietários de um carro.

Toda a vida vivi em Lisboa e hoje em dia, sempre que tenho de ir à capital, os meus níveis de stress e ansiedade apoderam-se de mim. O motivo é apenas um – o trânsito desenfreado que se vive naquela cidade. A quantidade de carros, misturados com autocarros turísticos, tuk-tuks e afins, juntamente com a dificuldade em estacionar no centro da cidade, são motivos suficientes para evitar marcar qualquer reunião em Lisboa.

 

Com a digitalização a conquistar o mundo, muitas soluções alternativas à mobilidade atual têm aparecido como resposta a este inevitável flagelo, muito causado pela bem-vinda "invasão" de turistas ao nosso belo país.

 

Tenho a sorte de ser pai de uma "millennial" que me vai atualizando quanto a estas novas tecnologias, em que a última foi uma aplicação de aluguer de motorizadas elétricas onde as podemos levantar com o comando de uma aplicação no telemóvel. Não existe qualquer interação humana, o pagamento é feito diretamente no cartão e o capacete está debaixo do banco. Querem algo mais cómodo do que isto? Já me imagino a apanhar tranquilamente um comboio de S. João para o Cais de Sodré, agarrar numa destas motinhas e estar no Saldanha durante hora de ponta em menos de 40 minutos! Ter carro começa a deixar de fazer sentido, não concordam?

 

A realidade é que, para quem vive em centros urbanos, já não existe o prazer da condução. Passamos a maioria do tempo atrás do volante em filas de trânsito. O ambiente ressente-se e a produtividade diminui. Ainda que seja um purista e amante de carros, estou a render-me cada vez mais às novas soluções de mobilidade onde teremos tempo para refletir, trabalhar ou somente descansar em detrimento da visão constante dos stops do carro da frente.

 

Um estudo da Deloitte indica que as novas gerações já tendem mais para o chamado "pay-per-use mobility", que não é mais do que "pagas o que usas", em vez de adquirirem carro. O estudo menciona que quase 50% da "geração Y" gosta de utilizar o smartphone para ir do ponto A ao ponto B (ex. Uber) e já planeia as suas viagens para efetuar multitarefas.

 

Claro que os hábitos que me acompanham desde sempre me tornaram "automóvel-dependente", mas temos de estar atentos às novas gerações habituadas ao imediatismo e ao descartável.

 

Esta nova abordagem à mobilidade, mais do que uma tendência, apresenta-se hoje como uma realidade e vai obrigar a que todos os setores se reinventem de modo a adaptar-se às necessidades do consumidor.

 

Diretor-geral da Carglass® em Portugal

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Ciifrão Há 3 semanas

A mudança de paradigma não se faz com ideias velhas, tipo levar a carta com asas de pássaro. A mudança relevante não é na forma de levar a carta mas nas um novo processo de enviar mensagens: o email não foi pensado antes de efetivamente ter surgido.
Para começar o melhor é pensar-se em dispensar muitas necessidades de mobilidade, reuniões presenciais não são assim tão necessárias,. O tele-trabalho não assume maior expressão porque as pessoas têm necessidade do contacto físico. As novas gerações, habituadas desde sempre a relações de convívio virtual, talvez desenvolvam outros comportamento, a necessidade de contacto presencial pode ser menos importante.

Anónimo Há 3 semanas

Quem está a comprar carros são as rent a cars... a classe média ainda não conseguiu recuperar dos cortes e do sufoco da bancarrota da banca privada e do desgoverno da troika de Passos e Portas. O Fidel Costa ainda tem muito que fazer, para o país seguir em frente.