Miguel Luzárraga
Miguel Luzárraga 06 de outubro de 2017 às 20:48

Como vão os mercados reagir?

É de esperar que o governo dos EUA esgote o seu "plafond" de endividamento no início de outubro, e as implicações para os mercados globais são ainda bastante incertas.

Fizemos a nossa própria pesquisa sobre as possíveis consequências, analisando o impacto potencial sobre os retornos das diversas categorias de ativos e sobre os indicadores macroeconómicos dos EUA.

 

Começámos por analisar o desempenho do S&P500, do MSCI Emerging Markets Index e do MSCI Europe Index nos períodos próximos das crises de 2013 e 2011. Em agosto de 2013, o Tesouro dos EUA informou o Congresso de que, caso o "plafond" de endividamento não fosse alterado para um valor superior, os EUA entrariam em incumprimento em meados de outubro. No entanto, nos três meses anteriores à resolução da crise, em 16 de outubro, o S&P 500, o MSCI Emerging Markets Index e o MSCI Europe Index subiram 2,5%, 8,2% e 4,9%, respetivamente.

 

Em seguida, pesquisámos se os acontecimentos teriam provocado alterações sensíveis a nível salarial e de confiança do consumidor. A confiança do consumidor desceu durante a crise, mas o nível mínimo que atingiu ainda era superior ao de abril de 2013. Da mesma forma, durante a crise, verificou-se um ligeiro impacto negativo a nível salarial.

 

Na crise de 2011, os acontecimentos a nível político-económico causaram uma queda significativa em agosto desse ano. A crise relacionada com o "plafond" de endividamento levou a S&P a diminuir a notação da dívida soberana dos EUA de AAA para AA + pela primeira vez na História do país, apenas uma semana depois de o governo ter aprovado um projeto de lei para resolver o problema. O S&P perdeu 6,66% nesse dia, atingindo os mercados globais. Entre julho e meados de agosto, os três índices registaram perdas entre -16% e -18%.

 

A confiança do consumidor sofreu um impacto negativo durante o mês, mas depois recuperou de forma bastante significativa. Os "non-farm payrolls" diminuíram ligeiramente no período mais agudo da crise da dívida e mais tarde recuperaram de forma bastante significativa. Se entrarmos num período conturbado de crise neste momento, é de esperar que estes indicadores macro sofram um impacto negativo durante algum tempo. No entanto, se a situação se revolver, os riscos atuais não deverão prejudicar o panorama macro dos EUA, que aponta para um forte crescimento e para uma expansão do meio-para-fim do ciclo.

 

Os mercados tiveram de lidar com níveis significativos de risco político nos últimos oito meses, mas o historial mostra que os investidores foram recompensados por terem ignorado os riscos políticos a curto prazo e terem tido uma visão de investimento a longo prazo. Embora seja certo que a evolução da situação nos EUA venha a causar preocupações nos mercados, estamos em crer que o problema do "plafond" de endividamento irá provavelmente ser resolvido.

 

Diretor Executivo e Executivo Sénior de Vendas da JPMorgan AM

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico
A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar