Camilo Lourenço
Como dar cabo do BCE em três tempos
01 Agosto 2012, 23:30 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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Nos últimos 20 anos falei com vários responsáveis do Bundesbank (governador incluído), o que me permitiu perceber porque teve a Alemanha a moeda mais forte do mundo e porque o poder político pensa duas vezes antes de fazer asneiras orçamentais.
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É este capital de credibilidade que continua a fazer do Bundesbank o mais credível dos bancos centrais: nos anos 90, "correu" com Itália e Inglaterra do Sistema Monetário Europeu; há duas semanas, encostou a Espanha à parede, sugerindo um resgate total (os mercados perceberam a mensagem)...

O problema é que este poder desmesurado do Bundesbank pode trazer problemas. Ao Euro. Veja-se a entrevista do seu presidente, onde lembra "Somos o maior e mais importante banco central no Eurosistema e temos mais a dizer do que muitos outros". E, noutro passo, num aviso a Draghi: "A independência do BCE exige que se respeite e não se ultrapasse o limite do seu mandato".

Jens Weidman tem razão nos princípios; Mario Draghi tem razão na urgência (em tomar medidas ortodoxas para salvar o Euro - porque os políticos europeus não fazem o suficiente). O problema é que os mercados dão ouvidos a Weidman...

O que se pode fazer para contrabalançar o poder do Bundesbank, que mal utilizado, como aconteceu neste caso, vai dar cabo do BCE? Nada: vergar o Bundesbank pela política é tempo perdido (o feitiço vira-se contra o feiticeiro). Se os outros bancos centrais, BCE incluído, querem ter a mesma força do Bundesbank têm de "obrigar" os governos a terem juízo: não gastar o que não têm. Só que os benefícios desta luta demoram décadas a aparecer. Até lá só podem evitar querelas, sobretudo públicas, que levem o Bundesbank a asneirar.
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