José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 01 de fevereiro de 2017 às 21:10

Compromisso com a Europa

Na verdade, quem se recusa a reformar as respetivas economias são os governos dos países da periferia, que ao privilegiar os ditames da política doméstica ignoram, por arrasto, a ameaça que impende sobre a moeda única.

A FRASE...

 

"Temos de pensar o impensável, [ou seja] a refundação da Europa, o que significa que temos de ser criativos; mas para sermos criativos temos de destruir qualquer coisa."

 

Jürgen Stark, The Telegraph, 29 de janeiro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Nos últimos tempos, a cada dia que passa, adensam-se as dúvidas acerca da viabilidade do projeto de integração europeia. No espaço de uma só semana, a Frente Nacional de Marine Le Pen apresentou o seu plano para a saída de França do euro; um deputado do Syriza desdramatizou a possibilidade de saída da Grécia do euro; o prémio Nobel da economia, Joseph Stiglitz, vaticinou o fim do euro, possivelmente já em 2017; e a administração Trump acusou a Alemanha de utilizar o euro para sub-repticiamente promover uma política mercantilista à custa dos seus parceiros europeus e, também, dos EUA.

 

Na mesma linha, numa entrevista concedida ao The Telegraph, Jürgen Stark, antigo vice-presidente do Bundesbank e ex-economista-chefe do BCE, defendeu que a UEM não é viável na sua atual configuração e que, portanto, deve ser refundada em torno do bloco germânico (+ França). Para Stark, os países do centro e os da periferia têm vindo a divergir desde a criação do euro, sendo que nada se resolveu desde a eclosão da crise da dívida soberana europeia no início da década, em grande parte devido à total inadequação da política monetária do BCE que, ao garantir artificialmente a solvência dos países mais fragilizados, eliminou os incentivos para a reforma das economias periféricas, eternizando a clivagem destas e as do centro. Mas ao contrário do que sugere Stark, a responsabilidade não pode ser exclusivamente assacada ao BCE porque, na verdade, quem se recusa a reformar as respetivas economias são os governos dos países da periferia, que ao privilegiar os ditames da política doméstica ignoram, por arrasto, a ameaça que impende sobre a moeda única. Tal posição constitui uma falta de compromisso para com o projeto europeu, ainda que por omissão.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Anónimo 02.02.2017

Pelo contrário, acho que é um bom artigo. Talvez pela primeira vez este articulista escreveu qualquer coisa que passa da mediania (ou pior).

Anónimo 02.02.2017

Isto não faz qualquer sentido. Não tenho lógica nenhuma. Uma perda de tempo esta análise. Este articulista não está ligado aos xuxas ?

surpreso 01.02.2017

Os povos da periferia pagarão pelos maus politicos que elegem.É esse o jogo

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