Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 01 de junho de 2017 às 09:00

Converter o ouro em chumbo 

O sistema bancário português, perdida a sua função de regulação, provou que era apenas a conversão da quimera do ouro no chumbo das imparidades e da dívida.

A FRASE...

 

"Pobre é, muitas vezes, não tanto quem não tem dinheiro mas quem gasta mal o pouco dinheiro que tem."

 

Daniel Bessa, Expresso, 27 de Maio de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Uma sociedade moderna é formada por três esferas (económica, social e política). A sustentabilidade desta configuração de esferas depende da operação de dispositivos de regulação, que têm por finalidade corrigir os desvios que ponham em causa o padrão viável da relação entre as esferas. Se as esferas se deformam, por expansão ou por contracção, é porque os dispositivos de regulação perderam eficácia, foram desactivados ou foram deliberadamente ignorados.

 

Com a nacionalização dos centros de acumulação de capital privados, com a passagem da economia nacional prolongada por mercados coloniais e sujeita à disciplina de uma moeda própria para uma economia integrada no espaço europeu e sujeita à disciplina de uma moeda comum, os dispositivos de regulação tradicionais da sociedade portuguesa mudaram de natureza. O Estado passou a ser o centro patrimonial dominante, o regulador eleitoral da democracia passou a determinar o que eram as preferências sociais. É no sistema bancário (nacionalizado ou privatizado) que ocorreu a mudança crítica: passou a ser o financiador da deformação da esfera política (quando as receitas fiscais não cobrem as despesas com as políticas públicas e é preciso emitir dívida), da deformação da esfera social (quando é preciso criar moeda através da concessão de crédito para satisfazer preferências e necessidades sociais) e da deformação da esfera económica (quando se cria moeda concedendo crédito para actividades que não têm competitividade ou para formar mercados protegidos de bens não transaccionáveis).

 

A concessão de crédito, criando moeda, parecia ser a alquimia da conversão do balanço dos bancos em ouro. O sistema bancário português, perdida a sua função de regulação, provou que era apenas a conversão da quimera do ouro no chumbo das imparidades e da dívida.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
O campónio tem razão! 06.06.2017

Porque no seu caso concreto a produção dos funcionários foi baixa, porque pela maneira como escreve é praticamente analfabeto.
Ahahahahaha...

És mesmo campónio! 01.06.2017

Se não fossem os tais funcionários que nada produzem a esta hora eras um analfabeto porque não tinhas ido à escola ou já tinhas morrido porque ninguém te curava ou já tinha sido assassinado numa qualquer esquina porque sem justiça reinava a anarquia.

Camponio da beira 01.06.2017

2"PERDIDA A SUA FUNÇÃO DE REGULAÇÃO" Sim mem termos de trabalhao produzido, não em salarios obscenos pagos. Ou seja temos (como em muitos outros sitios) funcionarios a receber dos impostos mas sem nada produzir.

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