Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 27 de junho de 2017 às 20:25

"Corporate governance" para além do género

Creio que a generalidade das empresas portuguesas tem evoluído no bom sentido, e que assim continuarão...

A CMVM organizou recentemente uma interessante conferência sobre "Corporate Governance" e felicito-a por tal.

 

Com cerca de 100 triliões de dólares americanos de ativos em carteira de gestoras de fundos, valor que continua a aumentar, há cada vez há mais dinheiro para se investir em empresas. Um dos critérios relevantes para decidir o investimento é a qualidade do "corporate governance", pelo que é do interesse das empresas que queiram captar investimento de fundos apostar na sua boa "governança". Esta também permite transmitir confiança aos investidores e aos "stakeholders" em geral, contribuindo para um seu desenvolvimento sustentável.

 

Foi recentemente aprovado um diploma para forçar as administrações e órgãos de fiscalização das empresas cotadas e públicas a um mínimo de 33.3% do género menos representado nos próximos anos. Na realidade, teoricamente é um mínimo entre 33.3% e 50% (embora não habitual, se um órgão tiver 4 membros, a quota mínima é de 50% pois na prática obriga sempre a ter 2 homens e 2 senhoras para nenhum ter menos de 33.3% de representação; se forem 5 membros, a quota mínima é de 40%).

 

Sendo a diversidade nesses órgãos uma mais-valia, esta medida ajuda mas não é suficiente. Nos conselhos de Administração (CA), a diversidade de experiências, idade e perfis também são relevantes, sendo no final necessário avaliar o CA no seu todo, para assegurar que também daí não resulta uma "amálgama" de pessoas que não formam um coletivo valioso.

 

Muito importante é a disponibilidade, independência e também a experiência passada em órgãos de administração e fiscalização. A relação entre administradores executivos e não executivos tem de ser bem gerida, pois os últimos têm a responsabilidade de simultaneamente apoiar e supervisionar a comissão executiva, o que é um equilíbrio delicado, mas que pessoas com experiência nestes órgãos mais facilmente o poderão fazer.

 

Finalmente, como referiu o Dr. Carlos Tavares na conferência, não há um bom modelo de "corporate governance" que resista a más pessoas, o que reforça ainda mais a questão de uma boa seleção dos membros dos órgãos sociais. Creio que a generalidade das empresas portuguesas tem evoluído no bom sentido, e que assim continuarão...

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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