Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 23 de novembro de 2017 às 20:15

Costa tenta fechar a caixa de Pandora

O anúncio de acordo entre Governo e professores gerou uma onda de expetativa entre várias carreiras da Função Pública. Mas depois de Marcelo ter dúvidas sobre o impacto orçamental Costa veio travar e explicar que o acordo é para repor o cronómetro, não é para voltar ao passado.

Como é natural, o anúncio de um acordo entre governo e sindicatos de professores desencadeou uma onda de reivindicações de várias classes profissionais do Estado. Aumentos com reposição da carreiras, compensando o congelamento dos anos de crise era um bom aumento salarial para cada docente afetado. Algumas centenas de euros por mês, que no fim do ano e dado o universo abrangido custaria centenas de milhões.

 

Cada funcionário público que tinha uma expetativa de carreira, abruptamente congelada ainda antes do resgate da troika, tem como objetivo recuperar o salário perdido e o precedente na Educação seria o melhor gatilho para desencadear esse acerto de contas.

 

O primeiro responsável a colocar um travão na euforia da Função Pública foi o Presidente da República ao dizer que iria "aguardar para ver se as recentes reivindicações de classes profissionais têm impacto no Orçamento do Estado para 2018 . "Veremos se alguns processos reivindicativos têm incidência no Orçamento, pode ser que não",  respondeu o presidente quando lhe perguntaram se temia a abertura de uma  "caixa de Pandora".

 

No dia seguinte aos reparos de Marcelo, António Costa, responde na Tunísia, com uma declaração que arrefece ainda mais as expetativas dos sindicatos.

 

O primeiro-ministro faz a diferença entre os compromissos assumidos e a "repor o cronómetro das carreiras a contar depois de ter estado parado", e a questão da recuperação das carreiras.

"Tem de haver a compreensão de que é possível repor o relógio a andar para a frente, só que não é possível repor o relógio a andar para trás", explicou Costa.

 

Com a metáfora cronográfica o primeiro-ministro colocou um limite às reivindicações sindicais. Mas a história ainda não acabou e como a Fenprof já demonstrou  tem uma grande capacidade de mobilização, além da influência  política direta no governo da geringonça.

 

Costa arrisca a enfrentar fogo amigo se resistir à reposição de carreiras com retroativos. Mas as limitações orçamentais não acabaram e como avisou Mário Centeno a fase dos juros baixos não dura sempre. O Orçamento continua com supervisão externa e eventuais notas negativas terão efeitos no financiamento da economia. O governo também tem culpa nesta novela de falsas expetativas. Criou a ilusão de que a austeridade já não morava cá. Teve uma narrativa tão eficaz sobre a prosperidade e a redução do défice que gerou a agitação normal dos tempos de abundância.

 

Saldo positivo: portabilidade das avaliações

 

O projeto-lei do PS que tem por objetivo promover a portabilidade das avaliações bancárias dos imóveis para o crédito à habitação é uma medida muito positiva que facilita a vida dos cidadãos e aumenta a concorrência entre as instituições bancárias. O facto de até agora os consumidores pagarem mais do que uma avaliação da casa, quando querem negociar condições do empréstimo com vários bancos, era um sério entrave a uma verdadeira concorrência entre os bancos.

 

Saldo negativo: Altice pressionada

 

A Altice tem a maior divida empresarial da Europa e é uma empresa relevante em Portugal, porque além ter comprado a rede da PT, quer comprar a TVI. Patrick Drahi e o português Armando Pereira ainda não conseguiram travar a hemorrogia do valor das ações. Também não são normais as mudança abruptas que atingiram a estrutura de topo da maior operadora de telecomunicações em Portugal. Estas alterações bruscas indiciam que nem tudo corre bem no império.

 

Algo completamente diferente: quadros do Infarmed vítimas de um golpe 

 

A macrocefalia de Lisboa não é boa para o País. Portugal ganhava se houvesse mais cidades com capacidade de atração de quadros e o Estado devia ter um papel importante na instalação de organismos públicos fora da capital. O problema é fazer essas mudanças em instituições com centenas de trabalhadores, que têm a sua vida organizada em função de expetativas criadas por anos de trabalho num agência pública. O Porto, tal como outras cidades, merece o Infarmed e muito mais, mas o Governo mostrou um total desprezo pelas pessoas atingidas. 

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado Rado Há 2 semanas

António Costa começa a parecer-se com Trump.

comentários mais recentes
Este Há 6 dias

Este Armando, de cara de nabo, é PSD ou CDS ? Misto PSD/CDS/Cavaco ?

tec informatica lic, mais 20 anos s/subir categori Há 2 semanas

FUI CONDENADO A 48 ANOS DE TRABALHO
ACONTECE, O MEU CONTRATO DE TRABALHO É DO TEMPO DO FASCISMO-DITADURA CUJA LEI APOSENTAÇÃO FOI DADA DE BANDEJA AOS POLICIAS, GNR E MILITARES A BRINCAR AS GUERRAS VIRTUAIS
EU NÃO SOU GRUNHO E NÃO QUERO SER ESCRAVO DE PRETOS E CIGANOS

Anónimo Há 2 semanas

É sobejamente conhecido o número de países que estão a fazer efectivamente reformas tão profundas quanto acertadas ou não fossem esses países cada vez mais fortes socialmente e economicamente. Dos escandinavos aos da Oceania, dos da América do Norte ao Reino Unido e à Alemanha. E reformas neste contexto, entenda-se, implicam invariavelmente liberalização e flexibilização quase plena dos mercados de factores produtivos, de bens e de serviços. Promovendo um mercado saudável e funcional onde quer o pós-doutorado como o rapazola das Novas Oportunidades ganham consoante o valor que sabem criar, dadas as reais condições de oferta e procura de mercado face àquilo que têm para oferecer na economia, e não consoante a moldura legal que os torna mais ou menos imunes às forças de mercado no decorrer de toda uma carreira assente na mais pura extracção de valor sem qualquer pertinência, sentido ou justificação. Estas reformas, obviamente, compelem todos os agentes económicos para a criação de valor.

Rado Há 2 semanas

António Costa começa a parecer-se com Trump.