Paulo Carmona
Paulo Carmona 01 de novembro de 2017 às 19:28

Crescer com maturidade

Num futuro bastante complexo temos de escolher e planear a prazo a sociedade que queremos e podemos ser, longe de chavões irrealistas.

A FRASE...

 

"Não conheço o relatório (da UTAO), mas devo dizer que não estou particularmente preocupado e estou convencido de que temos todas as condições para cumprir o que nos é exigido (pela Europa)."

 

Mourinho Felix, ECO, 23 de outubro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Portugal irá certamente cumprir as condições da União Europeia, até mais agora do que durante o Governo anterior. Ironia da política, a tão criticada obediência "cega" do Governo anterior não conseguiu cumprir os objetivos do défice que a agora obediência "consciente" consegue.

 

A questão preocupante é que o Governo não está a utilizar a sua folga orçamental para pagar a dívida. Uma folga que lhe caiu do céu, literalmente porque a maior parte dos turistas veio de avião, maravilhosamente imprevista e extraordinária e que esperemos venha para ficar. Esse bónus poderia fazer baixar a dívida, mas não vai. Nós iremos continuar com a dívida pública perto dos 250 mil milhões de euros, apenas baixando em valor relativo do PIB porque este sobe. Este tema da dívida tem de continuar a ser uma preocupação maior a fim de evitar nova e humilhante intervenção externa numa próxima crise recessiva, ou numa situação inflacionária com inevitável subida de juros.

 

Outro tema é o da falta de atratividade da economia na captação de investimento estrangeiro que promova emprego, de mão de obra qualificada, riqueza e crescimento sustentado da economia. Porque é que sendo tão bons e baratos, em baixos salários, não conseguimos ter mais Autoeuropas? Temos muito investimento em compra de imobiliário e de empresas cotadas, mas é de bens que já existem. Raramente é para criar algo de novo, produtivo e de longo prazo, que bem precisamos.

 

E por último o tema das políticas públicas. Como pode o Estado pensar a sociedade do futuro e o seu próprio papel se está preocupado em aumentar os funcionários cortando nas despesas nas seringas, impressoras, combustíveis, fardas, etc., essenciais para esses mesmos funcionários públicos cumprirem eficazmente e com profissionalismo as suas missões e o seu trabalho?

 

Que fará o Governo nestes próximos dois anos e nos quatro anos de um provável segundo mandato? Aumentar mais os dependentes do Estado para ganhar eleições? Para quê? Para continuar no equilibrismo, na espuma mediática e no combate político? É pouco. Num futuro bastante complexo temos de escolher e planear a prazo a sociedade que queremos e podemos ser, longe de chavões irrealistas.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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Mr.Tuga Há 2 semanas

Excelente!