Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 10 de maio de 2017 às 20:03

Crescimento potencial, ... da despesa?

Se o crescimento potencial tem mais que ver com as políticas do presente do que com a evolução do passado, a metodologia tem evidentes limitações no que respeita a sua utilização.

A FRASE...

 

"Centeno pede a Bruxelas que considere 'limitações metodológicas' de algumas regras europeias."

 

Lusa, Jornal de Negócios, 5 de Maio de 2017

 

A ANÁLISE...

 

O PIB potencial de uma economia é um conceito abstrato e corresponde à circunstância em que todos os fatores produtivos encontram emprego nas suas melhores utilizações. Num mundo sem atrito, capital e trabalho encontram naturalmente ocupação em funções totalmente consistentes com as suas expetativas.

 

Não obstante, por questões de ordem prática, tal construção conceptual não encontra equiparação na vida real. O PIB potencial é estimado pela tendência de crescimento subjacente ao ciclo económico, ou seja, consiste numa medida de alisamento que visa anular as flutuações conjunturais.

 

Dois elementos têm influência fulcral no cálculo do PIB potencial. Primeiro, porque consiste numa extrapolação do crescimento passado para o futuro, o horizonte histórico escolhido condiciona, como é normal, o valor encontrado. Segundo, a metodologia de alisamento - ou estimação econométrica - não reflete a estrutura da economia do futuro, porque não tem espaço para as políticas económicas contemporâneas.

 

Estes elementos suscitam dois reparos, pela mesma ordem. Por construção, o grau de desfasamento de uma economia face ao PIB potencial só pode ser realmente medido "a posteriori", depois de observada a dinâmica e a trajetória de ajustamento. Acresce que, se o crescimento potencial tem mais que ver com as políticas do presente do que com a evolução do passado, a metodologia tem evidentes limitações no que respeita a sua utilização.

 

Não negligenciando a importância de perceber se, em dado momento, a economia está acima ou abaixo do seu potencial, o que é realmente relevante é debater de que modo as políticas económicas produzem os estímulos adequados para que os recursos sejam mobilizados para atividades compatíveis com as suas qualificações. Esperamos que seja este o propósito subjacente à missiva que os ministros das Finanças enviaram à Comissão Europeia. E não a alternativa tática, de discutir margem de manobra adicional na disciplina orçamental!

 

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Anónimo 11.05.2017

É generalizado. A conjuntura mundial é boa. Só países em guerra é que este ano e no próximo não crescem. A questão está na qualidade e adequabilidade do mix de factores produtivos alocados que variam muito de governo para governo, deixando nuns casos a respectiva economia com fortes vectores de equidade e sustentabilidade futura e noutros com fortes vectores de iniquidade e insustentabilidade futura. "A economia grega deverá retomar o crescimento este ano e consolidar o mesmo em 2018, depois da interrupção da recuperação no quarto trimestre de 2016, segundo as previsões da primavera da Comissão Europeia, hoje divulgadas em Bruxelas.

Assim, o Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia deverá crescer 2,1% este ano e 2,5% em 2018,"

surpreso 10.05.2017

Quem é este Álvaro? É mais burro do que o Álvaro-Pastel-De-Nata do Passos Coelho.