Fernando  Sobral
Fernando Sobral 02 de agosto de 2017 às 09:49

Cristiano Ronaldo, a Torre Eiffel e o dinheiro

O futebol costumava ser um desporto praticado à volta de uma bola. Hoje também é, mas muita da discussão é sobre dinheiro.
Veja-se: a transferência de Neymar para o PSG está encalhada porque o pai deste (e seu agente) quer receber uma comissão de 26 milhões de euros. Resta saber quem paga. O PSG desespera porque quer apresentar Neymar na Torre Eiffel, tendo já pedido autorização para isso. No Sport, Ernest Folch argumenta: "Negociar a cláusula de rescisão de Neymar não é claudicar. Desde que se protejam os interesses do Barcelona e isso sirva para se conseguir algo mais do que se estivesse no sofá à espera que o PSG surgisse com 222 milhões." Dinheiro: 14,7 milhões de euros é quanto a autoridade fiscal espanhola diz que Cristiano Ronaldo defraudou o Estado espanhol. Este nega. Agora foi a tribunal. Como Messi antes dele, o jogador português diz que não sabia de nada: "Confiava nos meus assessores." E disse, perante a juíza, que confia plenamente em Jorge Mendes. E acrescentou: "Se não me chamasse Cristiano Ronaldo, não estaria aqui sentado." A argumentação é que os direitos de imagem (sobre o qual recaem as suspeitas) são diversos dos rendimentos do futebol. Sobre isso escreve Diego Torres, no El País: "O flanco débil da argumentação, tanto na defesa de Cristiano como na de Messi, reside na existência de sociedades 'offshore'."

O que mais causou escândalo em Espanha, na audiência com Ronaldo, foi outra coisa, como admite o editorial do El Mundo: "Há que criticar o favor que se deu ao jogador, ao permitir que acedesse ao tribunal de carro e pela garagem e saísse da mesma maneira, um privilégio que só havia sido concedido ao presidente do Governo (Rajoy). Havia uma expectativa inusitada, mas se não se permitiu noutras ocasiões - Urdangarin, Infanta Cristina, Blesa, Rato -, não se entende este tratamento de favor." E é aqui que o futebol mostra o seu verdadeiro poder.


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