Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 06 de novembro de 2017 às 11:00

CTT, mais um tiro nos pés

Uma empresa que se chama CTT e que devia ter nos correios o "core business" fazer o inverso parece surreal.
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A violenta queda de cerca de 25% das acções dos CTT em apenas duas sessões da semana passada foi um verdadeiro pesadelo para alguns investidores, mas foi também mais uma enorme lição de como contrariar a tendência é um dos erros fatais para quem investe nos mercados financeiros.

Além da apresentação dos prejuízos, os CTT colocaram a hipótese de passarem a gestão das estações de correios a outras entidades, algo que me surpreende e me deixa confuso. Vão então colocar o foco na actividade bancária? Confesso que uma empresa que se chama CTT e que devia ter nos correios o seu "core business", fazer o inverso parece-me surreal e mais um exercício de contorcionismo perigoso.

Mas só foi apanhado por estas quedas violentas os investidores que quiseram contrariar a força da tendência descendente. Ao longo dos últimos 2 anos, tenho chamado a atenção para o "Bear Market" que os CTT vivem e para a incapacidade em acompanharem as boas notícias da Economia e da Bolsa portuguesa. Mas há sempre quem queira desafiar o poder da tendência, há sempre quem queira tentar apanhar facas a cair, num exercício de malabarismo que - na maior parte das vezes - resulta em lesões na carteira dos investidores.

Por que querem os investidores desafiar o poder da tendência? Por que querem os investidores ser mais espertos do que o mercado? Provavelmente está na essência do ser humano, só assim se compreende esta inexplicável atracção pelo abismo e pelas acções que não param de cair.

Por mais artigos que escreva sobre o poder da tendência, concluirei sempre que escrevo menos do que devia. Esta é uma das principais razões pela qual tantos investidores perdem em Bolsa. Os CTT foram só mais um exemplo entre tantos. E as notícias são apenas a mera confirmação daquilo que o mercado nos vinha dizendo há muito tempo.



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