Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 23 de janeiro de 2018 às 22:07

Custos de contexto

Muito se tem falado nos custos de contexto que as empresas enfrentam e os seus clientes pagam e que tem origem em falhas de regulação, em preços distorcidos que têm de suportar ou serviços deficientes que têm de aceitar.

Em Portugal, o exemplo que normalmente se tem dado é o da EDP, empresa que pratica preços muito superiores à média europeia sem razão aparente.

 

Nos últimos tempos, contudo, uma outra entidade tem vindo a ser referida: os CTT – a maior operadora de correios de Portugal e que em muitos segmentos desses serviços é completamente dominante.

 

Apesar de a expansão do correio eletrónico ter absorvido um volume enorme de comunicações pessoais e empresariais tal não significa que o correio em papel tenha deixado de ser importante. Pelo contrário, a sua importância é acrescida já que as comunicações de menor importância podem ser feitas eletronicamente e se reserva o papel para a comunicação mais formal, oficial e relevante.

 

Assim, faturas, contratos, ofertas de marketing direto, bem como a entrega de encomendas fruto de transações online, continuam a ser feitas pelo correio tradicional.

 

A comunicação escrita rápida e eficiente é uma vantagem competitiva que certos países têm sobre outros.

 

No correio internacional, os CTT parecem lentos e com dificuldade de competir em termos de velocidade com os serviços oferecidos pela generalidade dos outros países.

 

Participo há dois anos numa troca de postais internacionais organizada pela Postcrossing, entidade que publica regularmente estatísticas dos tempos de envio e receção dos postais. É essa estatística que vos deixo para reflexão (ver tabela).

 

 

No total, enviei 276 postais e recebi 277 e para quase todos os países o tempo de envio é mais longo do que o tempo de receção. É uma amostra já de dimensão razoável.

 

Um postal de Portugal para a Alemanha leva mais 12 dias do que enviado da Alemanha para Portugal. Se for para a China, a diferença ainda é maior: de cá para lá uns espantosos 88 dias e de lá para cá menos de metade do tempo.

 

Isto significa que qualquer empresa de um país estrangeiro coloca o seu correio em Portugal de forma mais rápida do que a sua congénere portuguesa o consegue fazer nesse país.

 

Trata-se, naturalmente, de uma desvantagem competitiva importante para empresas exportadoras. Trata-se também de uma inferioridade relevante nas condições de atração de investimento externo.

 

Compete ao Governo atuar, fazendo cumprir contratos ou retomando o controlo desta empresa que cria custos de contexto evitáveis à economia nacional.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico




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