António Gomes Mota
António Gomes Mota 21 de junho de 2017 às 20:35

De novo nomeações

A recente polémica política que se gerou a partir da indicação pelo Governo das pessoas que irão desempenhar as funções de administradores não executivos da TAP traz de novo à colação a importância de se valorizarem e muscularem os processos de nomeações.

E a primeira nota é a da pobreza franciscana com que se apresentaram os nomes, o que me parece um mau serviço a quem é indicado. Poder-se-ia e dever-se-ia ter feito mais. Desde logo na valorização do que parece subjazer à proposta, a intenção de apesar de se tratarem de representantes do Estado, se ter procurado encontrar um conjunto de personalidades com experiências diversificadas e que individualmente pudessem valorizar os processos de decisão e responder aos inúmeros desafios a que a empresa tem pela frente. De facto e sem prejuízo de uma análise mais detalhada que não cabe aqui fazer, do que se conhece dos currículos individuais pode-se identificar competências e experiências distintivas em cada nomeado que decerto valorizará a capacidade de análise e decisão do conselho de administração enquanto órgão que define os principais objetivos, estratégias e políticas da empresa. Há nos nomeados traços curriculares sólidos em matéria de cultura (Ana Pinho), indústria da aviação (António Menezes), turismo (Bernardo Trindade), "know-how" jurídico e conhecimento da empresa (Diogo Lacerda Machado), gestão financeira e atividade bancária (Esmeralda Dourado) e enquadramento macroeconómico e atividade económica internacional (Miguel Frasquilho).

 

Assim e numa ótica, que importa sempre atender, de uma visão integrada (de portefólio) para o conjunto das pessoas que promova a maximização da diversidade e reúna competências e experiências relevantes para a reflexão estratégica e processo de decisão ao mais alto nível da empresa o trabalho realizado tem lógica e tem sentido, sem prejuízo de uma avaliação mais fina de se verificar se há no conselho de administração todas as competências e experiências relevantes considerando o meio envolvente, as características da empresa e os desafios que enfrenta. A passagem desse crivo seria sempre, idealmente, o "output" final de qualquer processo de nomeações. É, aliás, uma das maiores debilidades da CReSAP, sempre que se pronuncia em sede de nomeações para órgãos coletivos, o de atentar primordialmente ao mérito individual de cada candidato sem atender a uma avaliação global e integrada do conjunto dos candidatos propostos.

 

Como é natural neste processo de nomeações há sempre a tentativa de utilizar lupas de natureza política que possam gerar argumentos para o combate político. Neste processo da TAP, os alvos foram, por razões diferentes, Diogo Lacerda Machado e Miguel Frasquilho. No primeiro caso, apenas poderá compreender-se a polémica como rescaldo da sua condição de assessor do primeiro-ministro. Na verdade, o seu profundo conhecimento do dossiê de negociação entre o Estado e os acionistas privados e da própria empresa tornam-no especialmente valioso e habilitado a ser administrador não executivo e ainda mais porque representa, nessa condição, o Estado. No caso de Miguel Frasquilho, se curricularmente revela competências distintivas para integrar o conselho de administração, fica por fundamentar a sua propositura para a função de "chairman", sabendo-se de antemão que este papel irá ter especiais responsabilidades, além dos desafios da própria empresa, na gestão de dois acionistas iguais e sendo representante de um deles.

 

Professor na ISCTE Business School

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Mr.Tuga 22.06.2017

Pois...
O frasquiNho não venceu no BES nem naquela coisa da AR....

Mas para receber SALARIO PRINCIPESCO E OBSCENO na TAPi já serve....
É no que dá o altruísmo dos tugas que vão tirar o cartão de sócio dos clubes partidários....

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