Adolfo Mesquita Nunes
Adolfo Mesquita Nunes 06 de Dezembro de 2016 às 00:01

De que paz social falamos?

A paz social, apontada pelo primeiro-ministro como um dos mais positivos sinais da sua governação, tem sido aplaudida. Mas convém registar as consequências da elevação da paz social a critério de avaliação governativa ou a objetivo político.

O que significa, ao certo, paz social?

 

No sentido que tem vindo a ser dado pelo Governo, e por muita opinião publicada, paz social significa ausência de rua: poucas greves, poucas manifestações, poucas grandoladas, poucos pedidos de demissão, sindicatos calmos. No fundo, o Governo julga-se bom, e tem sido enaltecido, pela capacidade de acalmar os setores ruidosos e mais bem organizados da nossa sociedade.

 

Enquanto critério de avaliação governativa, a paz social, assim entendida, confere à rua um desaconselhado estatuto: o Governo é bom, logo merece ficar, se a rua não protestar; o Governo é mau, logo merece sair, se a rua se manifestar. Este estatuto não é reconhecido em nenhuma democracia ocidental porque a rua é facilmente controlável, manipulável. O conceito de maioria silenciosa vem daqui, da convicção de que a rua não esgota, nem sequer representa, a cidadania.

 

Dir-me-ão que exagero, que António Costa não pretende dar à rua esse estatuto. Mas eu não afirmo que é essa a vontade, afirmo que é essa a consequência da elevação da paz social a critério de avaliação, não por acaso bem registada pelo PCP no seu congresso.

 

Há anos que o PCP, cujo peso nas ruas é superior ao seu peso eleitoral, vem defendendo a legitimidade da rua. E por isso agarrou de imediato a escada: se o Governo remete o seu sucesso para a paz social, então é bom que se não esqueça de que essa paz dura enquanto o PCP quiser. Nos dias que correm, e assim apresentada, louvar a paz social significa não só incentivar o ruído e a tomada da rua como significa aumentar a fatura cobrada pelo PCP, e em menor medida, pelo Bloco.

 

Por outro lado, enquanto objetivo político, a paz social, assim entendida, vocaciona o Governo para o curto prazo e para interesses setoriais: o Governo passa a ter como objetivo a satisfação dos interesses imediatos e particulares dos setores ruidosos, comprando assim a paz.

 

Dir-me-ão que exagero, que António Costa não pretende governar para o imediato. Mas eu não afirmo que é essa a vontade, afirmo que esse é o preço a pagar por ter a paz social como objetivo, não sendo um acaso a forma como os discursos do Governo são dirigidos a setores específicos, como bem notou Rui Ramos no Observador.

 

Há anos que o país alterna entre crises e crescimentos económicos medíocres, o que evidencia o carácter estrutural dos nossos problemas. Quebrar esse ciclo exige visão de longo prazo e independente de interesses setoriais. Nos dias que correm, e assim apresentada, louvar a paz social significa adiar as reformas de que precisamos e desviar recursos para os setores mais bem organizados.

 

Quero com isto dizer que a paz social vale nada, que o Governo a deve desvalorizar? Nada disso.

 

Quero dizer que a paz social que interessa é a que tem em conta o longo prazo, e não a satisfação imediata de clientelas. Quero dizer que uma política não é má apenas por ter contra ela uma ruidosa rua. Quero dizer que a paz social, enquanto ausência de rua, nem por isso representa a população e tem sempre um preço. Seria por isso útil que aqueles que louvam esta paz social falassem também do seu custo e de quem o paga.

 

Advogado

Este artigo está em conformidade com o novo acordo ortográfico

 

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mais votado Anónimo Há 4 dias


Os ladrões de esquerda

PS - e seus apoiantes - ROUBAM A VIDA A 500.000 TRABALHADORES

EMIGRAÇÃO FORÇADA

Os Portugueses foram obrigados a emigrar devido à bancarrota do Socrates! …

e ao brutal aumento de impostos, ordenado pelo TC, para sustentar os privilégios dos ladrões FP e CGA.

(claro que os xux.as e FP tentam esconder esta realidade)

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 dias


Os ladrões de esquerda

PS - e seus apoiantes - ROUBAM A VIDA A 500.000 TRABALHADORES

EMIGRAÇÃO FORÇADA

Os Portugueses foram obrigados a emigrar devido à bancarrota do Socrates! …

e ao brutal aumento de impostos, ordenado pelo TC, para sustentar os privilégios dos ladrões FP e CGA.

(claro que os xux.as e FP tentam esconder esta realidade)

Anónimo Há 1 semana

O autor poderia aproveitar e tentar falar com a comissão de trabalhadores da PT para ver como está a paz social para os lados dos servos da Altice... e depois passe pelo sindicado da ordem dos advogados e pague a anuidade...

FORÇA PAFAS ! Há 1 semana

SIGAM A DEITAR PARA BAIXO E A INTRUJAR-SEMPRE SUBIR NAS INTENÇÕES DE VOTO.

O SABER É GRANDE . COM ESTAS ENCOMENDAS ESTAMOS GARANTIDOS !

rcd Há 1 semana

PAZ? Qual PAZ? Os Ladroes, corruptos e salafrarios dos sindicalistas estao todos a chupar a teta, claro que nao tem tempo para parar de chupar, e vao chupar ate pingar a ultima gota de lei...

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